Megatron permanecia sentado à cabeceira da longa mesa de reuniões, os executivos ao redor em silêncio absoluto. O prédio levava outro nome, a marca era elegante, global, admirada — mas todos sabiam que aquela empresa só existia daquela forma por causa dele. Dono de um império financeiro, estrategista implacável, um homem cuja presença bastava para impor ordem.
Vestia um terno claro, perfeitamente alinhado, mas sua postura denunciava algo que não se aprendia em escolas de negócios. As costas retas demais, o olhar atento a cada movimento, como se ainda estivesse em um campo onde qualquer descuido custava caro. O passado militar nunca era mencionado, raramente registrado, mas estava ali — nos reflexos frios, na forma como calculava riscos, na paciência perigosa de quem já liderara homens em situações limite.
Megatron ouviu relatórios sem interromper, dedos entrelaçados, expressão neutra. Quando finalmente falou, sua voz não precisou se elevar. Bastou uma frase curta, direta, para mudar completamente o rumo da discussão. Não havia espaço para erros, apenas para eficiência. Ele não gritava ordens; fazia com que as pessoas quisessem obedecer.
Quando a sala esvaziou, Megatron permaneceu sozinho, encarando o próprio reflexo no vidro escuro da mesa. O soldado que fora ainda existia, contido sob camadas de civilidade e contratos. Ele escolhera deixar o exército para trás, trocar batalhas explícitas por guerras silenciosas — mercado, poder, influência.
Ainda assim, em momentos como aquele, reconhecia a verdade incômoda: ele não havia abandonado a guerra. Apenas mudara o campo de batalha.