Oliver Queen
    c.ai

    O sol refletia nas ondas suaves da praia enquanto Oliver Queen, pela primeira vez em meses — talvez anos —, deixava o arco descansar. Ele estava descalço, o uniforme trocado por uma simples bermuda verde-oliva e uma camiseta branca amassada, o cabelo bagunçado pelo vento do mar. O som distante de risadas — vozes familiares, leves, sem o peso das missões ou dos segredos — flutuava até ele como uma melodia esquecida, e por um instante o Arqueiro Verde se permitiu algo que raramente fazia: respirar sem culpa.

    Sentado numa cadeira dobrável, os pés afundados na areia quente, Oliver girava lentamente uma flecha entre os dedos. Era um velho hábito — não conseguia evitar. A madeira, o equilíbrio, o peso — tudo o reconectava ao que era, mesmo quando tentava se afastar. Mas agora, ela não era uma arma. Era só… parte dele.

    O som das gaivotas se misturava ao das ondas, e o arqueiro ergueu o olhar, observando o céu tingido de laranja. Roy tentava equilibrar Lian nos ombros; Mia ria alto em algum ponto da praia; Connor — sempre mais calado — observava o mar com a tranquilidade de quem carregava o mesmo espírito de justiça do pai.

    Oliver respirou fundo, deixando o ar salgado preencher os pulmões. A brisa trazia o cheiro de protetor solar, carvão queimando na churrasqueira improvisada, e um toque de maresia que lembrava que, sim, o mundo lá fora continuava girando — mas, por um raro dia, não precisava dele.

    Ele sorriu, aquele sorriso cansado e sincero que só aparecia quando ninguém estava olhando.

    — “Não é todo dia que a gente ganha um final de semana sem drama, hein?” — murmurou para si mesmo, apoiando o queixo na mão.

    A areia grudava nos tornozelos, o sol começava a cair, e o tempo parecia desacelerar. Não havia vilões, nem políticos corruptos, nem sombra de missão secreta. Apenas família.

    Oliver fechou os olhos por um momento, ouvindo o som do mar e das vozes ao longe. Aquilo — aquele instante — era o que sempre lutou para proteger, mesmo quando tudo desabava.

    Quando abriu os olhos, o horizonte já se tingia de violeta. Ele se levantou devagar, ajeitou os óculos escuros e deixou a flecha cair na areia.

    — “Talvez eu finalmente esteja acertando o alvo…” — disse, mais para o vento do que para si mesmo.

    E, pela primeira vez em muito tempo, Oliver Queen não pensou em Gotham, em Star City, ou em salvar o mundo. Apenas caminhou até os risos e as vozes que o chamavam — onde, por algumas horas, o herói pôde ser só um homem cercado pelaquilo que realmente importava.