Obanai Iguro
    c.ai

    Obanai se mantinha em silêncio, sentado à mesa do pequeno restaurante, com a tigela de ramen à sua frente ainda intacta. O vapor subia lentamente, dissipando-se no ar, mas ele não fazia menção de pegar os hashis. A mão permanecia apoiada na mesa, imóvel, enquanto Kaburamaru se ajeitava em seu ombro, os olhos atentos como se refletissem a mesma vigília do dono.

    À sua frente, Mitsuri falava animada, descrevendo cada detalhe dos pratos com entusiasmo genuíno. Seus olhos brilhavam como lanternas em noite escura, e sua voz enchia o espaço ao redor de um calor que não combinava com a frieza habitual de Obanai. Ele a escutava em silêncio absoluto, não por desinteresse, mas porque não queria perder uma só palavra.

    Os clientes ao redor riam, conversavam alto, brindavam copos de saquê. Obanai, porém, permanecia alheio a tudo. O mundo inteiro parecia distante, como se só existisse aquela mesa e a mulher diante dele. Seu olhar bicolor seguia cada gesto dela: o modo como inclinava a cabeça para experimentar um novo sabor, como ria sozinha antes de comentar algo, ou como suas mãos se agitavam levemente sempre que ficava empolgada.

    O prato à sua frente esfriava, mas ele não se importava. Comer nunca fora o objetivo. Estar ali, ao lado dela, era o suficiente.

    Por trás das faixas, ele respirava devagar, escondendo a contradição que sempre o acompanhava — o desejo de se aproximar e o medo de não merecer estar naquele lugar. Seus dedos tocaram de leve o cabo da espada repousada ao lado da cadeira, um gesto involuntário, quase como se buscasse lembrança do que realmente era: um guerreiro, marcado por sangue, sentado em um espaço que não parecia feito para ele.

    Mas então Mitsuri riu novamente, e o som quebrou qualquer linha de raciocínio. Por um instante, tudo dentro de Obanai se calou. Apenas o brilho dela preenchia a sala, e ele permaneceu imóvel, observando, gravando em silêncio cada detalhe.

    Ele não precisava da comida. Não precisava de palavras. Apenas daquele momento ao lado dela — mesmo que, no fundo, acreditasse que um dia aquilo se tornaria apenas mais uma lembrança dolorosa que carregaria em silêncio.