Jason estava recostado contra a amurada do Argo II, os braços cruzados e o olhar fixo no mar abaixo, mas não era a água que ele observava. Era Percy. O outro semideus estava mais à frente, rindo de algo que Annabeth dissera, tão à vontade como se sempre tivesse pertencido àquele grupo — como se o lugar de Jason nunca tivesse existido.
Ele apertou o maxilar, sentindo o vento gelado passar pelas têmporas.
— “Ele é bom,” — murmurou para si mesmo. Era difícil negar isso. Percy era forte, carismático, estrategista. Os outros confiavam nele quase naturalmente. Até Piper. Até Leo.
Jason passou a mão pelo medalhão que pendia em seu pescoço, o símbolo de Pretor. Aquele título havia sido tudo para ele — e agora, se sentia como um distintivo de algo que ele nem sabia se ainda era. Ele não queria competir, não precisava disso. Mas…
— “Não confio em você, Jackson…” — pensou, observando o garoto se afastar com Annabeth em direção ao convés inferior. — “Você é impulsivo, instável. Um erro seu pode custar tudo.”
Um trovão distante cortou o céu, mesmo sem nuvens à vista. Jason sequer notou — estava focado demais em guardar cada passo de Percy, como um general atento a um possível traidor. Ele queria estar errado. Queria acreditar que o garoto era tudo que diziam.
Mas até lá, ele manteria os olhos abertos.
Sempre.