Tom Ridgewell
    c.ai

    Tom estava jogado no sofá, de costas para o encosto, uma perna pendendo para fora como se ele tivesse desistido até de se ajeitar direito. A TV estava ligada, mas o som baixo demais tornava impossível acompanhar qualquer coisa — imagens piscavam sem sentido, só servindo de luz ambiente. Ele não estava assistindo. Estava esperando.

    O braço cobria parcialmente o rosto, os óculos tortos, escorregando a cada respiração lenta. Tom fingia relaxamento, mas o pé batia de leve no ar, num ritmo impaciente que ele não percebia estar fazendo. Cada som da casa — um estalo, o vento, o elevador distante — fazia o músculo do maxilar se contrair por um segundo.

    Ele suspirou, longo, teatral, como se estivesse entediado.

    — “Idiota…”— murmurou para o teto, sem explicar para quem.

    Tom virou o rosto para o lado, encarando a porta de entrada. Nada. Ainda nada. O silêncio se esticava, grosso, quase provocativo. Ele passou a mão pelo rosto, empurrou os óculos de volta para o lugar e deixou cair o braço, expondo o olhar cansado, atento demais para alguém que dizia não ligar.

    A luz da TV piscou e, por um instante, refletiu vermelho nas lentes. Tom fechou os olhos, só por um segundo, como se estivesse se preparando para algo inevitável. Quando abriu de novo, havia um meio sorriso ali — pequeno, contido, perigoso.

    Ele se afundou mais no sofá, cruzando os braços, postura defensiva.

    Esperar era irritante. Mas ele continuava ali.