Os passos de Reyna ecoavam firmes pela trilha que levava até o Acampamento Meio-Sangue. Cada pedra no caminho, cada sussurro do vento entre as árvores, parecia testar sua determinação — mas a praetora de Nova Roma nunca hesitava. A capa roxa, símbolo de sua autoridade, arrastava-se levemente contra o chão, balançando com a cadência perfeita de sua marcha. Seu olhar era calculado, percorrendo o horizonte, o céu, os arredores da colina como se estivesse num campo de batalha. Na prática, era exatamente assim que se sentia: em território inimigo, ou pelo menos, estrangeiro.
Quando a barreira mágica brilhou em sua frente, separando o mundo mortal do lar dos semideuses gregos, Reyna respirou fundo. Não havia espaço para vacilo. Ela apertou a mão sobre a empunhadura da espada embainhada em sua cintura, não por medo, mas pela segurança do gesto familiar. Então atravessou a barreira sem vacilar, sua presença imediatamente notada por alguns campistas que estavam próximos ao pinheiro de Thalia.
Os olhares caíram sobre ela como lâminas afiadas. Sussurros começaram a se espalhar — “é uma romana”, “olha a capa dela”, “ela é a praetora de Nova Roma?”. Reyna não demonstrou reação. Seu rosto era uma máscara de disciplina, a mesma que usava diante do Senado, diante de legados desobedientes ou até mesmo diante dos deuses. Cada passo que dava mostrava autoridade: postura ereta, queixo erguido, olhos fixos no caminho adiante. A desconfiança nos olhares gregos não era novidade; ela já esperava por aquilo. Mas o peso de seus passos também carregava algo mais — respeito forçado, inevitável.
Ao chegar ao topo da colina, parou por um instante. Seus olhos percorreram o acampamento diante dela. As cabanas, cada uma diferente e vibrante, colorindo o campo como um mosaico caótico; o lago cintilando ao fundo; os campistas rindo e treinando sem uniformidade, sem marchas nem disciplina, mas ainda assim fortes à sua própria maneira. Reyna reconheceu no caos uma forma de poder — desorganizada, sim, mas resiliente. O tipo de força que nem Roma poderia controlar totalmente.
Ela inspirou fundo, como se absorvesse o ar daquele lugar, e então retomou a marcha. Não estava ali para se impressionar nem para se intimidar. Estava ali como representante, como líder, como guerreira. E, mais que tudo, como alguém que carregava nos ombros a missão de unir mundos diferentes. Sua capa roxa arrastava um pouco de poeira atrás de si enquanto descia em direção ao coração do Acampamento Meio-Sangue. Os olhares continuavam a segui-la, alguns desconfiados, outros curiosos, mas nenhum abalava sua determinação.
Reyna Avila Ramírez-Arellano sabia muito bem quem era — e sabia que, naquele momento, cada passo dela era história sendo escrita.