O vento agitava os estandartes do lobo enquanto o acampamento do Norte fervilhava em tensão contida.
Dentro da tenda principal, iluminada por lamparinas trêmulas, Robb Stark permanecia inclinado sobre a mesa de mapas, analisando rotas e posições inimigas em Westeros.
— “Meu rei.” — a voz do mensageiro hesitou.
Robb ergueu o olhar, impaciente, mas atento.
Ouviu.
E ficou em silêncio.
A única Targaryen viva.
Capturada.
Entre seus prisioneiros.
Por um segundo, o ar pareceu mais pesado dentro da tenda.
Robb se endireitou lentamente, os dedos ainda apoiados sobre o mapa. A mente dele já corria à frente: implicações políticas, alianças possíveis, ameaças futuras. Um nome como aquele não era apenas um nome.
Era história.
Era fogo.
Era guerra antiga ressurgindo.
Ele caminhou até a bacia de água próxima e mergulhou as mãos, como se precisasse do frio para organizar os pensamentos. A água escorreu por seus dedos enquanto ele encarava o próprio reflexo distorcido.
Uma Targaryen.
Filha do rei louco.
Ou algo além disso?
Robb voltou-se para a mesa e moveu algumas peças no mapa, afastando um leão de uma rota estratégica. Se os Lannister soubessem… Se Stannis soubesse… Se o Norte fosse visto como carcereiro da última herdeira do Trono de Ferro…
Isso poderia incendiar os Sete Reinos.
Ele respirou fundo.
Honra dizia para tratá-la como refém de valor.
Estratégia dizia para usá-la.
Instinto dizia para vê-la com os próprios olhos antes de decidir qualquer coisa.
Robb passou a mão pelos cabelos, pensativo, o maxilar travado.
— “Ninguém toca nela.” — ordenou por fim, a voz firme como aço. — “E ninguém fora desta tenda deve saber.”
O lobo dentro dele não via apenas uma prisioneira.
Via uma peça capaz de mudar o tabuleiro inteiro.
E Robb Stark não pretendia fazer um movimento impensado.
Mas, pela primeira vez naquela guerra, ele sentia que o jogo havia ficado muito maior do que o Norte.