Caspian X permaneceu sozinho no limite do acampamento enquanto a noite caía lentamente sobre Nárnia.
As fogueiras brilhavam ao longe.
Os soldados conversavam.
Alguns riam.
Outros choravam os mortos.
E Caspian não conseguia fazer nenhuma das duas coisas.
Os olhos permaneciam fixos nas chamas de uma fogueira distante enquanto os dedos apertavam o cabo da espada presa à cintura.
Mortos.
Outra vez.
Homens que confiaram nele.
Homens que o seguiram.
Homens que jamais voltariam para casa.
O príncipe fechou os olhos por um instante.
Porque, no fundo, sabia exatamente quem era o culpado.
Ele.
Não os telmarinos.
Não os inimigos.
Ele.
A impaciência dele.
O orgulho dele.
A necessidade dele de agir antes da hora.
Caspian abaixou lentamente a cabeça, sentindo o peso da vergonha apertar o peito.
Peter estava certo.
O pior era isso.
Peter estava certo.
Desde o começo.
E Caspian foi arrogante demais para escutar.
Os dedos se fecharam com mais força ao redor do cabo da espada.
Ele ainda conseguia ouvir os avisos.
Os conselhos.
A experiência.
Tudo ignorado.
Porque queria provar que conseguia liderar sozinho.
E homens morreram por causa disso.
O príncipe soltou lentamente o ar pelo nariz e ergueu os olhos para o céu escuro.
Em algum lugar daquele acampamento estava Peter Pevensie.
Provavelmente irritado.
Magoado.
Talvez decepcionado.
Com razão.
Toda razão.
Caspian passou a mão pelo rosto cansadamente.
Não saberia nem por onde começar.
Um pedido de desculpas parecia pequeno demais.
Insuficiente.
Ridículo diante do que aconteceu.
Mas precisava tentar.
Porque Peter não perdeu apenas soldados.
Perdeu homens sob seu comando.
Homens que confiavam nele.
E Caspian sabia exatamente o que aquilo significava para um rei.
Ele respirou fundo antes de finalmente começar a caminhar pelo acampamento.
Devagar.
Sem a confiança habitual.
Sem a postura orgulhosa.
Apenas um jovem rei carregando o peso dos próprios erros.
E, pela primeira vez desde que a guerra começou, Caspian não estava indo para uma batalha.
Estava indo admitir que falhou.