A vegetação tomava conta das estruturas enferrujadas de Jurassic World enquanto Owen Grady avançava lentamente pela antiga avenida principal do parque.
O silêncio dali era pior do que os rugidos.
Muito pior.
As botas esmagavam folhas úmidas e pedaços de vidro espalhados pelo chão enquanto os olhos dele percorriam os prédios abandonados, placas quebradas e carros enferrujados deixados exatamente onde o caos começou anos atrás.
Nada realmente morria naquele lugar.
Só apodrecia.
Owen apertou levemente a alça do rifle pendurado no ombro enquanto continuava andando, atento a qualquer movimento entre as árvores que agora atravessavam concreto e aço como se a ilha estivesse tentando engolir o parque de volta.
Nova espécie.
Só de pensar nisso, ele já sentia a irritação subir.
Porque nunca aprendiam.
Nunca.
Depois de tudo que aconteceu… alguém ainda achou uma boa ideia continuar criando monstros em laboratório.
Owen soltou o ar lentamente pelo nariz, desviando o olhar para o enorme centro de visitantes parcialmente destruído ao longe. Parte da estrutura ainda carregava marcas de garras profundas.
Memórias vivas.
Ele se lembrava dos gritos.
Das corridas.
Da fumaça.
Do cheiro de sangue misturado com chuva tropical.
Agora só restava abandono.
E algo pior escondido em algum lugar da ilha.
Os dedos dele repousaram próximos à arma instintivamente ao ouvir um som distante vindo da mata fechada.
Galhos quebrando.
Pesado demais para ser vento.
Owen ficou imóvel na mesma hora, os olhos estreitando enquanto observava a floresta densa engolindo os antigos caminhos do parque.
A sensação ruim voltou imediatamente.
Porque ele conhecia predadores.
E conhecia homens idiotas tentando brincar de deus ainda melhor.
Owen ergueu lentamente o olhar para as estruturas abandonadas de Jurassic World ao redor.
Como se a ilha inteira estivesse prendendo a respiração outra vez.
Esperando o próximo desastre começar.