Sakura Haruno
    c.ai

    Sakura notou antes mesmo de Ino dizer qualquer palavra.

    Estavam no hospital, cada uma organizando seus materiais, quando um silêncio estranho caiu entre elas. Ino sempre preenchia o ar — com reclamações, provocações, fofocas ou risos curtos. Mas agora… nada. Apenas movimentos precisos demais, contidos demais, como se ela estivesse funcionando no automático.

    Sakura fingia trabalhar, mas observava pelos cantos. Viu quando Ino pegou um frasco, parou por um segundo a mais do que deveria… e apertou os lábios como quem segura a própria respiração. Viu quando ela deixou um curativo cair e nem reclamou. Viu o ombro tensionado. A nuca rígida. Os olhos ligeiramente vermelhos, mas secos — secos demais para alguém que não estava chorando.

    Ino não chorava. Esse era o problema.

    Sakura sentiu a garganta apertar. A energia de Ino, que sempre chegava como uma explosão, agora era apenas um eco distante, um casulo transparente que qualquer um perceberia… se realmente olhasse.

    Mas quase ninguém olhava.

    A equipe dez se mantinha ocupada, mergulhada em missões e responsabilidades. Os ninjas da vila estavam tensos demais com a guerra iminente. E Ino, no meio de tudo isso, fazia o que sempre fez: sorria educadamente, agia como a herdeira perfeita do clã Yamanaka… e escondia o fato de que parte dela tinha quebrado junto com Asuma.

    Sakura percebeu no instante em que Ino evitou olhar pela janela. Porque lá fora estava o lugar onde Asuma costumava fumar. Pequeno demais para um gatilho — mas forte o suficiente para deixá-la imóvel por meio segundo.

    Sakura não disse nada. Nem chamou o nome dela. Apenas observou com o coração apertado, compreendendo — profundamente, sem precisar ouvir nada — que Ino estava segurando o mundo inteiro no peito, implodindo em silêncio.

    E que, se Sakura não tomasse cuidado, ela continuaria fazendo isso até não sobrar mais nada.