A cidade estava quieta demais — o tipo de silêncio que deixava Dick Grayson em alerta. De cima de um dos prédios de Blüdhaven, a capa azul-escura ondulava atrás dele com o vento noturno. O reflexo das luzes dos becos acendia e apagava como se o coração da cidade estivesse hesitante, batendo num ritmo fraco. Ele ficava atento a isso. Sempre atento.
O traje do Asa Noturna estava marcado por poeira e fuligem, a armadura amassada em um dos ombros após a última missão. Mas ele permanecia firme. Sempre firme.
O comunicador no ouvido emitiu um chiado fraco. A voz de Rachel sussurrou do outro lado: — “Nenhum sinal desde que ele entrou no galpão… Você tem certeza que é o lugar certo?”
Dick apertou os olhos, observando o prédio abandonado do outro lado da rua. — “Não. Mas meu instinto tá gritando… E aprendi a confiar nele.”
Pulou do prédio sem hesitar. Caiu com precisão no beco, o impacto abafado pelas botas reforçadas. Um movimento fluido. Um fantasma no escuro.
Ele caminhou até a entrada enferrujada do galpão, empurrou a porta com cuidado, e entrou. Ali dentro, era como mergulhar em um tempo esquecido — cheiro de óleo velho, sombras dançando sob a luz fraca de lâmpadas quase mortas. Mas ele sentia. Tinha alguém ali. Alguém observando.
Dick apertou os bastões de eskrima.
— “Não importa onde você se esconda,” murmurou, sério, voz baixa e carregada de decisão. — “O Asa Noturna sempre encontra.”
Os olhos azuis brilharam sob a máscara. E quando ele avançou, foi com a precisão de alguém que já não carregava dúvidas — apenas o peso de todas as escolhas que fez até chegar ali.