A sala estava escura, iluminada apenas pela tela do notebook e o brilho suave do painel do estúdio. Bang Chan sentava-se sozinho, o capuz jogado sobre a cabeça e os fones quase enterrados nos ouvidos. A batida ecoava no peito antes mesmo de sair pelas caixas de som — como se o som nascesse primeiro dentro dele.
As mãos passavam pelo teclado com precisão e cuidado. Criava, apagava, recomeçava. Aquela busca incansável por algo que soasse certo… que soasse verdadeiro.
Ele encostou-se na cadeira por um instante, soltando um suspiro cansado. Os olhos se fixaram no teto por alguns segundos. Lá fora, o mundo dormia. Aqui dentro, o coração ainda pulsava no ritmo de algo que ele nem sabia nomear. Inspiração? Ansiedade? Amor pela arte?
Talvez tudo isso junto.
Passou os dedos pelo cabelo, rindo baixo quando a melodia finalmente se encaixou com a letra. Aquilo — aquele momento de silêncio preenchido por música — era tudo pra ele.
— “Tá ficando bom…” murmurou pra si mesmo, com aquele sorrisinho discreto de quem sabe que encontrou o caminho certo.
Bang Chan não fazia música só com notas. Fazia com verdade. E naquela noite, mesmo sozinho no estúdio, ele sentia que não estava só. Porque toda vez que criava… ele se conectava com o mundo.
E isso bastava.