A sala estava inquieta antes mesmo dele entrar.
Sussurros.
Expectativa.
Curiosidade.
Então a porta se abriu — e Sirius Black entrou como se aquele lugar sempre tivesse sido dele.
Sem formalidade.
Sem rigidez.
A capa jogada de qualquer jeito sobre os ombros, o cabelo ainda levemente bagunçado, e aquele olhar… vivo demais para alguém que passou tanto tempo preso.
Ele parou no centro da sala por um segundo, analisando os alunos como se estivesse medindo cada um deles.
Não com julgamento.
Mas com interesse.
Sirius girou a varinha entre os dedos, um hábito claro, antes de apoiá-la contra a mesa com um leve toque.
— “Animagia não é truque.” — murmurou, a voz rouca, mas firme.
Ele começou a andar entre as carteiras, passos leves, quase silenciosos — como se ainda estivesse acostumado a se mover sem ser notado.
Mas não precisava mais.
Agora, todos olhavam pra ele.
Sirius parou ao lado de uma das janelas, a luz iluminando parcialmente o rosto marcado pelo tempo e por tudo o que viveu. Por um instante, ele ficou em silêncio.
Livre.
Realmente livre.
Os olhos desviaram rapidamente para fora, para os terrenos de Hogwarts — como se ainda não estivesse completamente acostumado à ideia de que podia estar ali, à luz do dia, sem correntes, sem sombras.
Mas então o sorriso voltou.
Lento.
Confiante.
Ele se virou de volta para os alunos, batendo levemente a mão na mesa.
— “Mas…” — continuou, agora com um leve brilho de diversão nos olhos — “isso não quer dizer que não possa ser interessante.”
Sirius inclinou a cabeça de lado, observando a reação deles, claramente se divertindo com aquilo.
Não era um professor comum.
Nunca seria.
E, pela primeira vez em muito tempo…
Ele não precisava fugir de quem era.