Drift caminhava pela fazenda de Cade com passos cautelosos, como se o solo de terra ainda fosse um território estrangeiro. Os sensores registravam cheiros orgânicos, sons constantes de insetos, o rangido distante do celeiro — estímulos simples, mas incessantes. Muito diferentes do silêncio frio do espaço ou do caos calculado da guerra.
Ele parou próximo à cerca de madeira, observando o vento dobrar a plantação em ondas irregulares. Havia algo… indisciplinado naquele movimento. Nada estratégico. Nada previsível. Ainda assim, Drift permaneceu ali, analisando, tentando compreender.
Com um gesto lento, ele desligou parcialmente os sistemas de combate, um hábito difícil de abandonar. As lâminas permaneceram presas às costas, mas a tensão em sua postura diminuiu um pouco. A fazenda não exigia guarda constante — não agora. Aceitar isso era o verdadeiro desafio.
Drift ajoelhou-se próximo ao chão, tocando a terra com a ponta dos dedos metálicos. O solo era áspero, imperfeito, manchado de vida. Algo que crescia sem ordens, sem honra formal, apenas por existir. Aquilo o confundia mais do que qualquer batalha.
Ao longe, os sons familiares dos Autobots ecoavam, e Drift se ergueu novamente, endireitando o corpo. Talvez aquele lugar nunca fosse totalmente seu. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ele permitiu-se ficar parado… não como um guerreiro em alerta, mas como alguém tentando aprender o que era paz.