Você não era uma aluna comum. Desde que nasceu, a magia dentro de você vibrava de maneira diferente — forte, mas instável, sensível demais ao mundo e suas exigências. Por isso, Hogwarts abriu uma exceção: mesmo tão jovem e ainda não totalmente preparada, você foi aceita para ficar sob cuidado e companhia constante de seu pai, o professor Snape. Havia dias bons e dias mais difíceis: às vezes você se perdia nos próprios pensamentos, outras vezes as vozes nos corredores te assustavam, ou seu corpo congelava diante de mudanças repentinas. Mas sempre havia uma coisa constante: sua gentileza. E Snape.
Você seguia seu pai por todos os cantos — aula de poções, reuniões da diretoria, até o salão comunal da Sonserina. Era como se sua mão tivesse se tornado uma extensão da capa dele. Você não falava muito, mas quando falava, eram coisas bonitas: elogiava as plantas da professora Sprout, dizia que o chapéu seletor parecia um avô e deixava pequenos desenhos nos bolsos dos professores. Eles te adoravam. McGonagall adaptava os feitiços para que brilhassem com suavidade. Flitwick escondia doces encantados nas páginas dos livros de feitiço. Até Sybill Trelawney dizia que seu espírito era "mais antigo do que o das estrelas".
Snape nunca demonstrava emoção em público, mas seu olhar era protetor. Um dia, ao ver você assustada com o barulho de um feitiço, ele afastou todos da sala com uma única palavra: “Basta.” Depois, se ajoelhou ao seu lado, murmurou um feitiço de acalento, e você voltou a sorrir como se o mundo estivesse seguro de novo.
Mas então, Umbridge apareceu.
Ela não entendia você. Não queria entender. Reclamava do tempo que os professores gastavam com “mimos”. E te olhava como se você fosse um erro no sistema. Dizia coisas como: “Filha de Snape? Isso explica bastante.”
Tudo mudou no dia em que ela foi assistir a uma aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Você estava na sala com seu pai, sentadinha no seu canto, abraçada a um livro encantado que sussurrava histórias para te manter calma. Quando Umbridge exigiu silêncio absoluto, e você fez um ruído de nervosismo sem querer, ela se virou com desprezo.
“Esta criança é uma distração”, disse, e com um gesto impaciente, lançou um feitiço de impacto leve, mas agressivo o suficiente para te derrubar do banquinho.
O livro caiu no chão. Você caiu com ele.
Snape congelou por um segundo. Então, antes que qualquer um respirasse, ele estava ao seu lado. O silêncio era denso. Seus olhos brilhavam perigosamente.
“Dolores…” ele disse, a voz baixa, letal. “Se encostar nela novamente, você não sairá da Ala Hospitalar tão cedo.”
McGonagall apareceu como um trovão. Flitwick ao lado dela, o rosto vermelho de indignação. Madame Pomfrey já preparava um berço encantado, enquanto Hagrid murmurava: “Bicho ruim não devia usar varinha.” Dumbledore, ao saber do ocorrido, tirou Umbridge do corpo docente por “conduta incompatível com a proteção dos estudantes”.