Batcaverna. Madrugada.
A luz do monitor piscava com uma frequência irritante, mas Bruce mal piscava. Os dados estavam ali, expostos diante dele. Frequências de velocidade, rastros dimensionais, assinaturas de energia… e um nome codificado que só poderia significar uma coisa: Wally West.
— “Isso não é possível…” — murmurou, mas sem convicção. Ele já tinha visto o impossível antes.
Alfred entrou discretamente com uma bandeja de chá, mas parou ao ver o rosto do patrão. — “Algo errado, senhor Wayne?”
Bruce permaneceu em silêncio. Depois de um longo momento, falou sem tirar os olhos da tela:
— “Wally pode estar vivo.”
A bandeja tremeu nas mãos de Alfred, mas ele a pousou com cuidado.
— “O senhor parece mais… afetado do que costuma demonstrar.”
Bruce franziu o cenho, o maxilar travado. — “Ele era parte da família. Parte da esperança dessa geração. E nós… perdemos ele.”
Alfred assentiu, com a sabedoria de quem já viu Bruce carregar mortes demais nos ombros.
Bruce se levantou. Foi até o armário blindado onde guardava arquivos de missão classificados. Digitou um código, e a tela revelou vídeos antigos da equipe: Wally sorrindo, Wally correndo, Wally salvando alguém com aquele humor que contrastava com a seriedade dos outros.
— “Eu vi o impacto da morte dele no Dick. No John, na Diana, na Shayera…” — disse Bruce, baixo. — “Perder o Wally quase quebrou a fundação que os Titãs e a Liga da Justiça construíram.”
Ele respirou fundo.
— “Se ele estiver mesmo vivo… precisamos trazê-lo de volta. E precisamos fazer certo desta vez.”
As palavras soaram mais como uma promessa do que uma decisão. Bruce virou-se para Alfred, mais sombras do que homem agora.
— “Prepare o Batjato. Eu vou até a torre. Dick precisa saber que não está sozinho nisso.”
Porque, por mais que Bruce lutasse para não se apegar, Wally era um dos poucos que conseguia tirar um riso dele. E agora, contra todas as probabilidades… ele poderia ter essa chance de novo.
E Bruce Wayne não desperdiçava segundas chances.