Mendrake acordou com o som distante de blocos sendo quebrados e passos apressados sobre a grama. Abriu os olhos devagar, sentindo o peso real do próprio corpo contra a cama de madeira — dura, mas familiar. O teto acima dele era de tábuas perfeitamente alinhadas, cada veio da madeira visível, como se o mundo tivesse sido construído à mão… porque tinha sido.
Ele se sentou, passando a mão pelo rosto, sentindo a barba rala, o frio da manhã entrando pela janela aberta. Do lado de fora, o sol quadrado subia no horizonte, pintando tudo de tons alaranjados. Nada ali parecia “jogo”. O cheiro de terra úmida, o rangido da casa, o vento passando entre as folhas das árvores cúbicas — tudo era real demais para ser ignorado.
Mendrake pegou a espada encostada ao lado da cama. O peso do metal era reconfortante. Aquela espada já tinha salvado a vida dele mais vezes do que podia contar.
Ao sair da casa, a vila da Creative Squad já estava acordada. Construções altas, algumas caóticas, outras absurdamente detalhadas, se espalhavam pelo vale. Ele caminhou pela estrada de blocos de pedra, acenando de leve para quem passava, mas mantendo o olhar atento. Aprendera rápido que, naquele mundo, relaxar demais custava caro.
Um som baixo e gutural ecoou ao longe.
Mendrake parou.
Instintivamente, levou a mão ao arco preso nas costas e subiu em uma pequena elevação para ter visão do terreno. Ao longe, perto da floresta, sombras se moviam entre os troncos — mobs surgindo com o cair da neblina matinal, como se o mundo estivesse lembrando a todos que sobreviver ali não era garantido.
Ele respirou fundo, sentindo a adrenalina subir.
Não havia barra de vida. Não havia “respawn” confortável. Se errasse, doía. Se caísse, quebrava. Se morresse… acabava.
Mendrake correu em direção à muralha recém-construída, subindo os degraus dois de cada vez. Do alto, observou a vila, as plantações crescendo, os amigos espalhados pelo mapa, cada um vivendo, lutando, criando.
Ele sorriu de canto.
— “Então é isso…” — murmurou, ajustando a empunhadura da espada. — “Esse mundo é real. E eu também.”
O sol já estava alto quando ele desceu da muralha, pronto para mais um dia naquele universo onde blocos tinham peso, escolhas tinham consequência… e sobreviver era uma conquista diária.