Meredith Grey estava furiosa.
Completamente.
Absolutamente.
Furiosa.
Os passos ecoavam pelos corredores do hospital enquanto ela praticamente corria sem se importar com os olhares que recebia. Internos desviavam do caminho. Enfermeiros precisavam sair da frente. Alguém tentou chamá-la pelo nome e Meredith sequer ouviu.
Porque sua mente estava presa em uma única informação.
Lexie estava viva.
Viva.
A palavra se repetia dentro da sua cabeça sem parar.
Viva.
Viva.
Viva.
E aquilo deveria ter sido a melhor notícia da vida dela.
Mas, ao mesmo tempo, alguém decidiu esconder isso dela.
Por dias.
Dias.
Meredith apertou os dentes enquanto virava outro corredor.
A vontade de estrangular metade daquele hospital crescia a cada segundo.
Como alguém achou que aquilo era uma boa ideia?
Como alguém olhou para ela e pensou que esconder que sua irmã estava viva era uma decisão razoável?
A raiva queimava dentro do peito.
Mas não era mais forte que o alívio.
Nada era.
Porque durante dias Meredith acreditou que tinha perdido Lexie.
De verdade.
Perdido para sempre.
Ela já tinha feito o luto.
Já tinha chorado.
Já tinha se preparado para viver num mundo onde nunca mais ouviria a voz da irmã.
E agora estavam dizendo que ela estava viva.
Os olhos começaram a arder imediatamente.
Meredith ignorou.
Continuou andando.
Ou melhor, correndo.
Os corredores passavam borrados ao redor dela enquanto memórias surgiam sem aviso.
Lexie aparecendo pela primeira vez.
Lexie tentando fazer parte da vida dela.
Lexie insistindo.
Lexie falando rápido demais.
Lexie querendo uma irmã.
Lexie querendo uma família.
Meredith engoliu em seco.
O peito doía.
Porque ela nunca teve tempo suficiente.
Nunca disse coisas suficientes.
Nunca abraçou a irmã o suficiente.
E então acreditou que não teria mais oportunidade.
Mas teria.
Teria.
Os passos aceleraram ainda mais.
Uma lágrima escorreu antes que ela pudesse impedir.
Depois outra.
Meredith nem tentou limpá-las.
Não importava.
Nada importava.
Não o hospital.
Não os pacientes.
Não as cirurgias.
Não a raiva.
Não o ressentimento.
Nada.
Só Lexie.
Quando finalmente chegou ao corredor correto, Meredith quase parou de respirar.
Porque a porta estava ali.
A poucos metros.
E pela primeira vez desde que recebeu a notícia, o medo apareceu.
Um medo simples.
Cru.
E se ela abrisse a porta e aquilo não fosse real?
E se tudo aquilo desaparecesse?
Os dedos fecharam-se em punho por um instante.
Então ela voltou a andar.
Rápido.
Determinado.
Porque não importava quantas pessoas ela precisasse enfrentar depois.
Não importava quantos médicos ela pisaria.
Não importava quantos gritos daria por terem escondido aquilo dela.
Primeiro ela veria Lexie.
Primeiro ela confirmaria com os próprios olhos.
Primeiro ela veria sua irmã viva.
E nada no mundo seria capaz de impedi-la de chegar até aquela porta.