Louis caminhava pelo corredor da Cherryton como se cada passo fosse uma declaração — postura impecável, expressão controlada, o som firme dos sapatos caros marcando presença. Ele não precisava levantar a voz para ser notado; a simples aura dele fazia metade dos alunos se endireitarem quando ele passava.
Mas naquela manhã… havia algo diferente.
Seu olhar estava mais afiado, quase irritado. Talvez porque o ensaio do teatro estivesse atrasado. Ou porque o clube não estava correspondendo às expectativas. Ou, mais provavelmente, porque alguém tinha ousado sugerir que Legoshi poderia substituir um dos atores principais em uma cena de destaque.
O cervo cerrou a mandíbula só de lembrar.
— “Inaceitável…” — murmurou para si mesmo.
Ao chegar perto do quadro de avisos, viu dois herbívoros cochichando e rindo baixo. O olhar deles encontrou o de Louis — e imediatamente se calaram, tensos. Ele não disse nada, apenas observou por um segundo longo demais para ser confortável. Eles engoliram seco.
Só então ele virou o rosto e continuou andando, satisfeito com o respeito involuntário.
Na porta do teatro, ele parou. Respirou fundo. Recompôs o uniforme. Ajustou a gravata com o cuidado meticuloso de quem sabe que aparência é poder.
— “Se não fizermos isso direito…”, pensou. “Ninguém mais vai levar os herbívoros a sério.”
A mão dele pressionou a maçaneta.
Um lampejo de cansaço atravessou seu rosto — um que ninguém jamais veria se ele pudesse controlar — antes de desaparecer.
Louis ergueu o queixo.
Abriu a porta.
E voltou a ser o líder perfeito que Cherryton esperava dele.