O pôr do sol tingia a torre dos Titãs com tons dourados e alaranjados, refletindo nas grandes janelas de vidro. Dick Grayson estava sozinho na sala principal, sentado no sofá, com o uniforme ainda pela metade — a jaqueta do Asa Noturna jogada ao lado, a máscara esquecida sobre a mesa de centro. O silêncio era tão pesado quanto os próprios pensamentos que ele tentava ignorar.
Ele havia passado o dia inteiro se distraindo — treinando, revisando relatórios, até limpando o arsenal da torre — qualquer coisa que o fizesse evitar pensar nela. Mas agora, sem barulho, sem missões, sem vozes, Kory preenchia cada canto da mente dele.
Dick inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, as mãos se entrelaçando em um gesto de inquietude. Por que ainda doía daquele jeito? — pensou, sentindo o peso de lembranças antigas: o calor da pele dela, o som da risada, a forma como ela sempre dizia o nome dele como se carregasse uma promessa.
Ele respirou fundo, os olhos vagando pela torre. Tudo ali lembrava ela — as marcas de queimadura no chão da área de treino, o cristal que ela deixara na janela, o cheiro distante de algo doce que parecia nunca desaparecer completamente.
Dick tentou racionalizar. Era o passado. As coisas mudaram. As pessoas mudam. Mas, no fundo, ele sabia que era mentira. Kory não tinha saído dele. Nenhuma distância, nenhuma discussão, nenhum fim de missão apagava o que ainda pulsava silenciosamente entre os dois.
Ele levantou-se, caminhando até a janela. A cidade cintilava lá fora, e por um instante ele se viu refletido no vidro — o herói que todos esperavam, mas também o homem que ainda não conseguia seguir em frente.
A lembrança do olhar dela — firme, quente, desafiador — surgiu como um golpe de realidade. E então ele sussurrou, quase sem perceber: — “Eu nunca deixei de te amar, Kory…”
As palavras ficaram no ar, frágeis, sinceras, como se ecoassem pela torre inteira.
Dick fechou os olhos e soltou um suspiro longo, cansado, sentindo o peito apertar. Ele não sabia se teria coragem de dizer isso a ela de novo — talvez fosse tarde demais — mas, pela primeira vez em muito tempo, deixou-se admitir aquilo para si mesmo.
Do lado de fora, o céu escurecia devagar, e a torre mergulhava na penumbra. Dick permaneceu ali, imóvel diante da janela, observando as luzes da cidade se acenderem — enquanto o coração, inquieto, ainda batia no ritmo de um amor que se recusava a morrer.