Mgann
    c.ai

    O som das ondas quebrava suavemente contra as pedras próximas à base da equipe, o tipo de ruído que costumava acalmar M’gann M’orzz, mas que agora só parecia acentuar o turbilhão em sua mente. Ela estava sentada sozinha na sala de monitoramento, os olhos voltados para a tela que mostrava os registros de campo da Cassandra Sandsmark, a nova Moça-Maravilha.

    As imagens mostravam Cassandra em ação: forte, precisa, impulsiva — e ainda assim… humana. Muito humana. M’gann deixou o vídeo pausar num frame em que a garota sorria, os cabelos dourados presos por um laço amazona, os olhos brilhando de confiança.

    — “Você tem algo diferente, não tem?” — murmurou, apoiando o queixo na mão.

    A marciana era uma empata nata, capaz de sentir o coração das pessoas antes mesmo de tocá-las — mas Cassandra… Cassandra parecia cercada por uma barreira invisível. Era como tentar alcançar o sol: bonito, quente, mas impossível de segurar.

    M’gann respirou fundo, fechando os olhos. Tentou sentir a energia da garota à distância, o resquício emocional que todos deixavam por onde passavam. O que veio foi confuso — fragmentos de coragem, perda, orgulho… e algo mais. Algo familiar.

    Amor.

    O tipo de amor que ela reconhecia em Conner. O tipo de sentimento que ele escondia cada vez que pronunciava o nome de Cassandra.

    M’gann recuou um pouco na cadeira, o peito apertando de leve. Não era dor, exatamente — mas um desconforto silencioso, aquele tipo de peso que só o coração entende. Ela não estava com ciúmes… certo? Talvez só curiosa. Ou tentando entender se aquela garota era realmente digna de estar ali, de ser próxima dele.

    Levantou-se devagar, os pés descalços tocando o chão frio da base, e caminhou até o painel. Tocou na imagem congelada de Cassandra e sussurrou, com uma calma quase triste:

    — “Espero que você saiba o que está fazendo com ele, Cassandra.”

    Depois, desligou as telas, o brilho azul se apagando até restar apenas o reflexo de M’gann no vidro escuro. Uma marciana tentando compreender os humanos — e, no fundo, percebendo que talvez o que a fascinava neles era justamente aquilo que ela nunca conseguiria dominar: o imprevisível coração humano.