A jaqueta vermelha substituíra o velho casaco jeans.
Clark se olhava no espelho do celeiro, os olhos faiscando em um tom quase metálico, o sorriso torto carregado de uma confiança que não pertencia ao garoto da fazenda. Seus punhos estavam cerrados, os músculos tensos como se o mundo estivesse esperando para ser dominado por ele — e, por um instante, ele achou que era exatamente isso que merecia.
— “Chega de me esconder…” — murmurou, a voz mais grave, carregada de um desdém frio. — “Chega de fingir que sou igual a eles.”
Ele atravessou o celeiro como se cada passo marcasse um novo território. Nada de hesitação, nada de culpa. Apenas poder. E liberdade.
A kryptonita vermelha queimava sob a pele, acendendo vontades que ele normalmente enterrava fundo. Não era só raiva — era desejo. Desejo de ser visto, de ser temido, de viver sem amarras.
Martha tentou barrá-lo na porta.
— “Clark, por favor… você não é assim.”
Ele apenas a encarou. Um segundo. Dois. Um riso breve escapou, sem humor.
— “Não sou? E quem você acha que sou, mãe? Um fazendeiro obediente que se desculpa por existir? Isso morreu junto com a ingenuidade que vocês me forçaram a usar.”
Ele passou por ela, sem olhar para trás.
No asfalto da estrada que cortava Smallville, ele acelerou em supervelocidade, criando um rastro de vento e poeira. Ao longe, a cidade brilhava com suas luzes adormecidas — inocente demais, frágil demais. E Clark sentia que podia quebrá-la com um estalar de dedos.
Mas não queria destruição… Queria controle.
Por uma noite, ele não seria o protetor. Seria o predador.
E, no fundo, em algum lugar bem escondido, o verdadeiro Clark gritava. Mas a voz dele era abafada pelo rugido da liberdade envenenada.
E Clark… Clark estava gostando disso.