Mirage estava escorado contra a lataria enferrujada de um carro abandonado, os braços cruzados e o olhar vagando pelo ferro-velho como se tudo ali fosse entediante demais para merecer sua atenção. Ele girava uma pequena peça metálica entre os dedos, só para ocupar as mãos, quando o comunicador vibrou.
A voz que saiu não era qualquer uma.
O nome veio primeiro — pesado, carregado de história.
Optimus Prime.
Por um instante, Mirage ficou imóvel. O sorriso fácil desapareceu, substituído por um silêncio raro até para ele. Ele conhecia as histórias. Todos conheciam. O líder que atravessara guerras, que carregava ideais grandes demais até para Cybertron. Um símbolo. Uma lenda viva.
— “Então é esse o Prime…” — murmurou, mais para si mesmo, deixando escapar um riso baixo, nervoso, quase imperceptível.
Ele empurrou o carro com o ombro e se afastou, endireitando a postura como se, de repente, quisesse parecer menos… Mirage. Passou a mão pela própria lataria, ajustando detalhes inúteis, algo que nunca se importava em fazer.
Não era medo. Era expectativa.
Mirage respirou fundo — um gesto quase humano — e inclinou levemente a cabeça, como quem se prepara para algo grande demais para fingir desinteresse.
— “Beleza.” — disse, com o velho tom confiante voltando aos poucos. — “Vamos ver se a lenda faz jus à fama.”
Mas, no fundo, ele sabia: aquele encontro mudaria mais do que só a hierarquia.
Ia mudar ele.