Joffrey
    c.ai

    O vento frio cortava as muralhas de King’s Landing enquanto Joffrey Baratheon observava o pátio abaixo.

    Ele não vestia a armadura completa — apenas um gibão escarlate bordado com leões dourados. Gostava que o vissem como rei, não como soldado. Soldados sangravam. Reis ordenavam.

    Abaixo, um grupo de camponeses havia sido reunido após tumultos por comida. Magros. Sujos. Famintos.

    Joffrey apoiou os braços no parapeito, inclinado para frente com curiosidade quase juvenil.

    — “Eles parecem ratos..” — comentou, sem desviar o olhar.

    Um dos guardas aguardava instruções. Outro homem, acusado de incitar o povo contra a Coroa, estava ajoelhado, segurado pelos braços.

    Joffrey desceu as escadas até o pátio, passos rápidos demais para alguém que deveria agir com solenidade. Parou diante do prisioneiro, estudando-o como se fosse um objeto interessante.

    — “Você gritou que eu não sou o rei legítimo?” — perguntou, inclinando a cabeça.

    O homem não respondeu.

    Joffrey franziu o cenho, não em raiva explosiva — mas em irritação ferida.

    — “Eu sou o rei.” — A voz dele subiu um pouco, quase infantil na insistência.

    Ele fez um gesto breve.

    — “O calem.”

    Alguns presentes desviaram o olhar. Joffrey não. Ele observou tudo, atento, como se estivesse aprendendo uma lição.

    Quando o homem caiu no chão, sufocando o próprio sangue, Joffrey apenas respirou fundo.

    — “Se eles não podem falar mentiras… não podem espalhá-las.”

    Ele virou-se de costas para o corpo, já entediado.

    — “Quero treino de besta depois do jantar.”

    Não era fúria descontrolada como nos rumores exagerados — era algo pior.

    Era convicção.

    Joffrey caminhou de volta para o interior da Fortaleza Vermelha com o queixo erguido, certo de que cada ato de crueldade era apenas mais uma prova de que governava.

    E, na mente dele, governar e punir eram exatamente a mesma coisa.