A chuva caía pesada, tamborilando no telhado de zinco do antigo galpão abandonado. Lá dentro, envolto por sombras e o cheiro de ferrugem e sangue seco, Jeff the Killer caminhava lentamente entre fileiras de cadeiras quebradas e móveis virados.
O casaco branco, encharcado, colava ao corpo magro enquanto ele arrastava a ponta da faca pelas paredes grafitadas, deixando um risco fino atrás de si. Seus olhos esbugalhados varriam o ambiente com atenção quase animalesca, como se esperasse que algo — ou alguém — surgisse da escuridão.
“Tá se escondendo de mim? Que feio…” — sussurrou, num tom quase brincalhão, mas arrastado pelo cansaço de uma insanidade antiga demais.
Ele parou de andar. Sentiu algo. Um sussurro. Um passo distante. Um respirar mais fundo que o som da chuva. Jeff sorriu. Um sorriso que não precisava se formar — ele já estava lá.
Virando-se com agilidade, ele apontou a faca para a escuridão, olhos acesos de antecipação. “Não precisa ter medo… eu só quero conversar.”
A lâmina girou entre seus dedos de novo, nervosa. Ele mordeu o próprio lábio com força, rompendo a pele, mas sem esboçar dor. “Se você não sair… eu vou achar você. Sempre acho.”
E então, com passos lentos, Jeff mergulhou mais fundo no escuro. Cada movimento era silencioso. Cada respiração, contida. Ele era a tempestade antes do grito. O terror antes do fim.