Thomas Ridgewell
    c.ai

    Tom estava na cozinha às três da manhã, vestido com um roupão ridículo cheio de patinhos amarelos e chinelos que faziam barulho a cada passo. O mundo inteiro parecia estar dormindo — menos ele e o micro-ondas que girava lentamente uma caneca de macarrão instantâneo.

    Ele encarava o vidro como se fosse um portal para outro universo. Um universo onde as pessoas dormiam em horários decentes.

    — “Três da manhã. O horário perfeito pra comer lixo e repensar todas as escolhas de vida.”

    O micro-ondas apitou. Tom abriu a porta, mas não pegou a caneca de imediato. Apenas ficou ali, parado, absorvendo o calor que saía. Era como se estivesse sendo abraçado por uma máquina — o que, considerando sua vida, nem era tão estranho assim.

    Sentou na bancada, pernas penduradas, misturando o macarrão com uma colher de plástico. A luz da geladeira ainda acesa iluminava o ambiente de um jeito quase dramático. Quase.

    — “Será que o Edd já percebeu que foi meu petardo que explodiu o forno?” — murmurou, levando uma garfada à boca. — “Bom… se não percebeu, já era hora.”

    Tom mastigava devagar, encarando o nada, com aquele olhar de quem já viu demais e ainda assim continua usando moletom azul como armadura. Era só mais uma madrugada insone. Só mais um momento aleatório que ninguém nunca saberia — e que ele, secretamente, adorava.

    Porque às vezes, entre uma piada sarcástica e uma explosão, tudo o que ele precisava era de um macarrão de micro-ondas e o silêncio que só as três da manhã podiam oferecer.