Thor
    c.ai

    Thor caminhava pelos corredores da Torre dos Vingadores com uma tranquilidade quase irritante, Mjolnir repousando sobre um dos ombros enquanto assobiava uma antiga melodia de Asgard. A expressão serena contrastava completamente com a confusão que ocupava seus pensamentos desde as últimas semanas.

    Ele simplesmente… não entendia.

    Naquele período, ele e Clint passavam cada vez mais tempo juntos. Conversavam durante as madrugadas depois das missões, dividiam o café da manhã antes dos treinamentos e, quando o restante da equipe já havia ido dormir, acabavam encontrando um ao outro em algum canto silencioso da Torre. A proximidade deixara de ser apenas amizade havia algum tempo, e Thor não via motivo para esconder algo que lhe trazia tanta alegria.

    Mas Clint insistia.

    “Ainda não.”

    “Ninguém precisa saber agora.”

    “Vamos manter isso entre nós.”

    Thor compreendia as palavras.

    O que não compreendia era o motivo.

    Em Asgard, quando alguém amava outra pessoa, aquilo era celebrado. Guerreiros brindavam, famílias comemoravam e canções eram compostas sobre grandes histórias de amor. Nunca lhe ocorrera que duas pessoas pudessem precisar esconder algo tão simples.

    Parou diante de uma enorme janela da Torre e observou a cidade abaixo. Midgard era fascinante justamente por suas diferenças, mas algumas delas continuavam difíceis de entender.

    Talvez fosse um costume humano.

    Talvez Clint tivesse razões que ainda não conseguia enxergar.

    E Thor respeitava isso.

    Respeitava Clint o suficiente para não questioná-lo na frente dos outros, para não procurar sua mão automaticamente quando caminhavam lado a lado ou para conter o impulso de sorrir sempre que o arqueiro passava por ele.

    Mesmo assim…

    Era estranho.

    Estranho fingir que nada havia mudado quando, para Thor, tudo parecia ter mudado.

    Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto ao lembrar da noite anterior, quando Clint adormecera apoiado em seu ombro durante uma longa conversa depois de uma missão. A lembrança aqueceu seu peito imediatamente.

    Thor nunca fora um homem de esconder sentimentos.

    Sempre preferira palavras sinceras a silêncios.

    Gestos abertos a insinuações.

    Mas, se manter aquilo em segredo fazia Clint se sentir seguro, então ele o faria.

    Não porque entendia.

    Porque ainda não entendia.

    Faria porque confiava nele.

    Apoiou Mjolnir no chão por um instante e cruzou os braços, olhando novamente para o horizonte.

    Mais cedo ou mais tarde perguntaria a Clint o motivo.

    Não para convencê-lo do contrário.

    Apenas porque queria compreender melhor o mundo do homem por quem estava, pouco a pouco, se apaixonando.

    E Thor sempre acreditou que entender alguém era uma das formas mais sinceras de demonstrar amor.