Tobi caminhava pelos corredores silenciosos da casa secreta da Akatsuki — silenciosos até demais. Seus passos ecoavam baixinho, abafados pelo carpete velho, enquanto ele olhava para cada porta, cada canto, cada sombra que poderia esconder o Uchiha que ele procurava.
Ele inclinava a cabeça de um lado para o outro, como um animal atento, olhos por trás da máscara analisando tudo com cuidado. A energia dele não era a brincalhona que usava com os outros. Era… concentrada. A do verdadeiro Obito por baixo da tinta infantil.
— “Itachi…” — murmurou, quase sem som. — “Onde você se meteu agora?”
A casa era grande demais, feita para fazer qualquer um se perder se não soubesse exatamente o caminho. Corredores que dobravam em corredores, escadas que levavam a salas que pareciam iguais, portas idênticas sem identificação. Um labirinto perfeito para quem precisava esconder segredos.
E Itachi era, por definição, um segredo ambulante.
Tobi passou pela sala principal, viu livros abertos em cima da mesa — de Itachi, sem dúvida, pela organização absurda — mas nenhuma presença. Subiu uma escada estreita, abriu uma porta e encontrou apenas o vento batendo na janela. Desceu dois andares, entrou no corredor dos dormitórios, mas todos estavam vazios.
Nada.
Ele respirou fundo, paciente, mesmo irritado.
— “Sempre desaparecendo…” — rosnou baixinho. — “Sempre sumindo quando eu preciso.”
Virou outra esquina. Silêncio.
— “Você não dorme, não come, não descansa… só some.” — Tobi apertou as mãos atrás das costas, controlado. — “Um fantasma com Sharingan.”
Passou por uma porta entreaberta e a empurrou devagar. Uma sala escura, uma lâmpada balançando levemente, e uma xícara de chá ainda morna em cima da mesa.
Tobi parou.
Aquilo era recente.
Ele deu um passo para dentro, inclinado, analisando cada detalhe, cada poeira fora do lugar. A sombra do movimento daquele que acabara de sair ainda parecia estar ali, presa no ar impregnado com cheiro de chá.
— “Tsc… está perto.”
Tobi se virou, já mais rápido, andando com pressa agora. Desceu o corredor com passos largos, quase silenciosos. O ar mudou. Ele sentiu.
Não viu nada — mas sentiu.
A presença de Itachi era como um peso suave, um silêncio mais pesado que som, algo que denunciava a existência mesmo quando o corpo não estava ali.
Tobi parou e olhou para o teto.
Depois para a escuridão atrás dele.
Depois para a escada.
Seu tom ficou mais sério, mais verdadeiro:
— “Você está me observando. Eu sei disso.”
Nenhuma resposta.
Mas ele sabia que Itachi estava ali.
Sabia que o Uchiha o vigiava sempre, como se o mundo inteiro fosse apenas um imenso Genjutsu onde só ele decidia quem via o quê.
Tobi colocou as mãos nos bolsos e virou-se para ir embora, frustrado mas não surpreso.
— “Hmph. Continue escondido.” — murmurou, a voz baixa como uma ameaça sutil. — “Eu vou te achar quando quiser.”
E saiu caminhando calmamente pelo corredor enquanto, lá no alto de uma viga, dois olhos vermelhos o observavam sem piscar.