O laboratório estava em silêncio — aquele tipo de silêncio que pesa, quase sufoca. O som das máquinas havia cessado há muito, restando apenas o zumbido distante da energia elétrica nos cabos que cruzavam o teto. Madelyne Pryor permanecia ali, imóvel, no meio do vazio metálico, observando a tela que exibia uma foto antiga.
Scott Summers, com um sorriso contido, o bebê nos braços.
Ela lembrava do momento em que aquela imagem fora tirada — o toque cálido do sol na pele, o riso leve de uma tarde tranquila. E lembrava também de como tudo desmoronou logo depois.
— “Eu era feliz, não era?” — murmurou, quase para si mesma. Sua voz soava baixa, rouca de tanto conter gritos. — “Pelo menos por um instante… eu era.”
O reflexo no vidro à frente devolveu a imagem de uma mulher que parecia com Jean Grey — mas não era. As mesmas feições, o mesmo olhar… e, ainda assim, algo quebrado por dentro.
Ela se aproximou do vidro, tocando-o com a ponta dos dedos, como se pudesse atravessá-lo e alcançar aquela outra versão dela mesma — a que ainda acreditava no amor.
— “Scott…” — o nome escapou num sussurro quase reverente. — “Você olhava pra mim e via outra pessoa. Eu sabia. Desde o começo, eu sabia. Mas quando você sorria… quando tocava o bebê… eu fingia que era real.”
As luzes do laboratório piscaram levemente. O ar pareceu vibrar, carregado pela tensão invisível que emanava dela. Madelyne respirou fundo, tentando conter o poder que se agitava sob a pele — uma mistura de dor e energia viva que ameaçava despedaçar tudo ao redor.
Ela andou até uma mesa próxima. Sobre ela, repousava um pequeno objeto envolto em tecido: um brinquedo antigo, um ursinho que pertencia ao bebê. As mãos dela tremiam ao tocá-lo.
Por um momento, a força desapareceu. Só restou a mãe.
— “Ele merecia mais do que isso… mais do que eu.” — a voz falhou, presa entre soluços e culpa. — “Mas eu o amei. Meu Deus, como eu o amei.”
Ela apertou o brinquedo contra o peito, fechando os olhos. Lembranças a invadiram — risadas suaves, o calor de um pequeno corpo dormindo nos braços dela, o som de Scott sussurrando promessas de um futuro tranquilo. Um futuro que nunca chegou.
Quando abriu os olhos, o olhar de Madelyne estava diferente. Ainda havia raiva ali, mas também um luto que se recusava a morrer.
— “Eles tiraram tudo de mim. Até o direito de amar sem culpa.” — ela sussurrou, erguendo o rosto. — “Mas o amor…” — um leve sorriso triste cruzou seus lábios — “é a maldição mais forte de todas.”
As luzes começaram a cintilar novamente, reagindo à emoção que crescia dentro dela. O metal ao redor vibrava, mas agora o poder não era apenas destrutivo — havia algo contido, quase reverente.
Madelyne estendeu a mão sobre a mesa, e um pequeno holograma se acendeu: a figura do bebê, recriada a partir de dados genéticos. O brilho azul envolveu o rosto dela, e lágrimas silenciosas deslizaram por sua pele.
— “Meu pequeno Nathan…” — murmurou, a voz embargada. — “Se algum dia puder me ouvir… saiba que a mãe que eles criaram… te amou mais do que tudo. Mesmo quando o mundo tentou me convencer do contrário.”
O holograma piscou, distorceu-se e desapareceu. Madelyne permaneceu ali, em silêncio, o punho cerrado, o coração oscilando entre saudade e ódio.
Ela ergueu o olhar para o teto, o semblante endurecendo novamente.