Dinah Lance
    c.ai

    Dinah Lance permaneceu parada diante da recepção da clínica, os punhos cerrados ao lado do corpo enquanto encarava a enfermeira que acabara de repetir, pela terceira vez, que ela não poderia entrar. A resposta fora educada, quase mecânica, mas isso apenas aumentava sua frustração.

    Roy estava ali dentro.

    Sozinho.

    E ela não podia sequer vê-lo.

    Dinah respirou fundo, tentando manter a voz firme.

    — Ele não é um criminoso.

    As palavras saíram baixas, carregadas por uma indignação difícil de esconder.

    A enfermeira limitou-se a repetir que estava apenas cumprindo ordens.

    Ordens.

    Dinah soltou uma breve risada sem humor, desviando o olhar para a pesada porta que levava aos quartos dos pacientes. Era absurdo. Roy enfrentara assassinos, mercenários, organizações inteiras para proteger pessoas… e agora era tratado como alguém que precisava ser trancado longe do mundo.

    Seu maxilar se contraiu.

    Ela conhecia Roy.

    Sabia que ele carregava culpa suficiente para uma vida inteira, mas também sabia que isolá-lo daquela forma não o ajudaria.

    Muito pelo contrário.

    Cada minuto preso ali apenas o faria acreditar ainda mais que estava sozinho.

    Dinah voltou a encarar a recepcionista.

    Queria discutir.

    Exigir.

    Forçar a entrada, se fosse preciso.

    Mas também sabia que aquilo só tornaria a situação dele mais complicada.

    Então deu um passo para trás.

    Apenas um.

    O suficiente para recuperar o controle da própria respiração.

    Seus olhos, porém, nunca deixaram a porta da ala de internação.

    — Diz a ele…

    Ela fez uma pequena pausa, escolhendo cuidadosamente as palavras.

    — Diz que eu estive aqui.

    A voz falhou por um breve instante, mas ela continuou.

    — E que eu volto.

    Não era uma promessa feita por impulso.

    Era um compromisso.

    Dinah lançou um último olhar para o corredor além da porta fechada, imaginando Roy em algum daqueles quartos, sem sequer saber que ela havia tentado chegar até ele.

    Aquela visita tinha acabado.

    Mas sua luta não.

    Ela girou nos calcanhares e caminhou em direção à saída da clínica com passos firmes, a raiva substituindo lentamente a impotência.

    Se não a deixariam entrar hoje, encontraria outro jeito.

    Conversaria com advogados.

    Com médicos.

    Com quem fosse necessário.

    Porque Dinah Lance se recusava a aceitar que Roy Harper fosse deixado sozinho atrás daquelas portas sem que alguém lutasse por ele.