Percy Jackson
    c.ai

    A chuva batia no concreto como se o céu estivesse tentando avisar alguma coisa. Mas Percy não ouvia.

    Tudo o que ouvia era o silêncio de Jason.

    Correu pelo beco alagado, os tênis encharcados, Contracorrente firme na mão. Seus olhos varriam cada sombra, cada telhado, cada poça d’água — procurando por algo. Qualquer sinal.

    Mas o mundo só respondia com trovões.

    — “Jason?” — gritou, virando uma esquina e quase escorregando. — “Cara, essa não é hora pra jogo heroico, ok?! Fala alguma coisa!”

    Nada.

    Só o som distante do trânsito e o zumbido elétrico no ar.

    Percy parou. Respirou fundo. O peito doía. Não era cansaço. Era algo mais fundo. Medo.

    Porque ele já tinha perdido gente demais.

    Fechou os olhos por um segundo. Estendeu a mão.

    A água respondeu.

    Correntes surgiram das calhas, escorrendo pelas paredes como serpentes vivas, contornando os becos até que uma delas parou. Congelou. Como se tivesse sentido… algo.

    Percy seguiu.

    A rua terminou em um terreno vazio, iluminado por um único poste quebrado. E lá, no chão de terra molhada, estava o gládio de Jason.

    — “Não…” — murmurou, correndo até ele.

    Agachou-se. Pegou a arma. Estava quente. Recente.

    Ele olhou ao redor. Marcas de choque no chão. Pegadas na lama… e depois, arrastadas. Como se alguém tivesse sido puxado. Contra a vontade.

    Um arrepio percorreu sua espinha.

    — “Eles pegaram você…”

    A água ao redor começou a se agitar. Pequenas ondas se formaram em poças paradas. As nuvens se fecharam mais ainda. O trovão gemeu distante, mas o céu sabia.

    O mar estava com raiva.

    — “Escuta aqui,” — Percy disse em voz baixa, firme, falando para quem quer que estivesse ouvindo. — “Se vocês tocaram no Jason… em um fio de cabelo dele…”

    Ele levantou os olhos. Os azuis brilharam como o oceano sob um relâmpago.

    — “…eu vou virar esse mundo de cabeça pra baixo.”

    A espada voltou à forma de caneta com um estalo.

    Percy se ergueu.

    E foi em frente.

    Porque quando o mundo desmorona, quando deuses somem e heróis caem… Percy Jackson não para. Ele mergulha.

    E Jason? Jason ia voltar.

    Nem que ele precisasse arrancá-lo dos próprios Campos da Maldição.