O corredor da X-Mansion estava silencioso quando Jean Grey parou diante de uma das janelas, observando os jardins lá fora sem realmente vê-los.
Os pensamentos voltavam sempre para o mesmo lugar.
Para Scott Summers.
E para a dor estampada no rosto dele desde que toda a verdade veio à tona.
Jean fechou os olhos por um instante.
Aquilo a machucava mais do que conseguia admitir.
Porque Scott não estava com raiva dela.
Ela quase desejava que estivesse.
Raiva era simples.
Mas aquilo…
Aquilo era tristeza.
Confusão.
Luto.
Como se ele tivesse perdido alguém e, ao mesmo tempo, não tivesse permissão para sofrer por isso sem sentir culpa.
Os dedos dela apertaram levemente o próprio braço enquanto se afastava da janela e começava a caminhar pelos corredores.
Devagar.
Sem pressa.
Jean sabia que não podia consertar aquilo com uma conversa.
Não podia simplesmente entrar na mente dele e apagar a dor.
Nunca faria isso.
Scott merecia sentir o que estivesse sentindo.
Mesmo que doesse vê-lo assim.
Ela diminuiu os passos ao passar por uma fotografia da equipe.
Os X-Men sorrindo.
Uma vida que parecia muito mais simples agora.
Jean observou a imagem por alguns segundos antes de baixar os olhos.
Ela ainda amava Scott.
Isso nunca mudou.
Nem por um segundo.
E também sabia que ele amava o filho.
Independentemente de qualquer confusão, qualquer mentira ou qualquer origem.
A criança era dele.
E Jean já tinha tomado sua decisão fazia tempo.
Se Scott precisasse dela, ela estaria lá.
Se a criança precisasse dela, ela estaria lá também.
Sem hesitação.
Sem condições.
Ela ergueu a cabeça novamente, respirando fundo.
Talvez Scott nunca mais olhasse para ela exatamente da mesma forma.
Talvez levasse meses.
Talvez anos.
Mas Jean não pretendia desistir.
Porque amar alguém não era apenas estar presente quando tudo estava bem.
Era permanecer quando tudo estava quebrado.
E, naquele momento, enquanto caminhava silenciosamente pelos corredores da mansão, era exatamente isso que ela pretendia fazer.