Peter
    c.ai

    Peter Parker pousou silenciosamente sobre a caixa d’água do prédio em frente ao apartamento de Bucky Barnes, permanecendo agachado enquanto encarava as janelas iluminadas do edifício. O vento frio de Nova York balançava o tecido vermelho e azul do uniforme, mas ele mal percebia.

    Seu coração parecia muito mais barulhento do que qualquer trânsito lá embaixo.

    As mãos apertavam e desapertavam nervosamente o próprio pulso, um hábito antigo que nunca conseguira perder. Não fazia ideia do que estava fazendo ali. Quer dizer… fazia.

    Só não sabia se era uma boa ideia.

    Depois que o feitiço apagou sua existência da memória de todos, Peter aprendeu uma coisa muito rápido: o mundo continuava exatamente igual, mesmo quando você desaparecia dele.

    Ninguém ligava.

    Ninguém perguntava.

    Ninguém sentia sua falta.

    Era como se ele nunca tivesse existido.

    Agora morava sozinho em um apartamento pequeno demais, pagava aluguel com o pouco dinheiro que conseguia juntar fazendo entregas e fotografias ocasionais, estudava no último ano do ensino médio tentando fingir que sua vida ainda fazia algum sentido… e, quando o uniforme voltava para seu corpo, continuava salvando pessoas que jamais saberiam seu nome.

    Era cansativo.

    Muito mais do que as lutas.

    O pior era o silêncio.

    Não ter ninguém para perguntar se estava tudo bem.

    Ninguém para pedir conselho.

    Ninguém para simplesmente conversar.

    Foi por isso que seus pensamentos acabaram chegando em Bucky.

    Não porque ele fosse o mais simpático dos Vingadores.

    Definitivamente não era.

    Mas porque Peter sempre enxergou algo nele.

    Uma solidão parecida com a sua.

    Alguém tentando reaprender a viver.

    Alguém que também conhecia a sensação de acordar sem saber exatamente onde pertencia.

    Talvez fosse por isso.

    Talvez Bucky entendesse.

    Ou talvez Peter só estivesse desesperado o suficiente para acreditar nisso.

    Ele respirou fundo, levantando-se da caixa d’água e lançando uma teia até o prédio seguinte. Bastou um impulso para pousar na varanda do apartamento de Bucky.

    Silêncio.

    As luzes estavam acesas.

    Peter engoliu em seco.

    Agora vinha a pior parte.

    Ele sabia que Bucky não lembrava de Peter Parker.

    Lembrava apenas do Homem-Aranha.

    Era estranho pensar nisso.

    Doloroso.

    Porque, em algum lugar muito distante, existia uma lembrança que nunca voltaria. Conversas, missões e momentos que simplesmente deixaram de existir para o resto do mundo.

    Peter levou a mão até a máscara.

    Pensou em tirá-la.

    Parou no meio do movimento.

    Não.

    Ainda não.

    Se dissesse quem era… estaria entregando a única coisa que ainda conseguia proteger.

    Sua identidade.

    A última parte da antiga vida que lhe restava.

    Então manteve a máscara no rosto.

    Os dedos tamborilaram nervosamente contra a madeira da porta da varanda.

    Uma.

    Duas.

    Três vezes.

    Quase imediatamente se arrependeu.

    Pensou em ir embora.

    Saltaria dali, voltaria para os telhados e fingiria que nunca teve aquela ideia absurda.

    Mas permaneceu imóvel.

    Porque, pela primeira vez em muito tempo, Peter estava fazendo algo que o assustava mais do que enfrentar qualquer supervilão.

    Estava pedindo ajuda.

    E isso sempre foi infinitamente mais difícil.