Ares
    c.ai

    A boate pulsava.

    Luzes vermelhas, som estridente, o cheiro de suor, álcool e adrenalina queimando no ar. Gente demais. Vozes demais. Instintos demais.

    Era o tipo de lugar onde os mortais se perdiam — e Ares se encontrava.

    Ele estava sentado no bar. Jaqueta de couro, óculos escuros mesmo à noite, o cabelo preso pra trás com descuido proposital. A cicatriz no pescoço ainda brilhava quando a luz piscava. Um copo de uísque à frente. Intocado.

    O barman olhava nervoso. Algo no cara… no jeito dele, fazia o ar ficar mais denso.

    Ares apenas sorriu. Um sorriso curto, predador. — “Pode relaxar, garotão. Ainda não decidi se hoje é dia de matar alguém.”

    O barman riu. Pensando que era piada.

    Não era.

    O deus passou os olhos pelo salão. Casais discutindo. Grupos de homens se encarando como cães prontos pra briga. Um cara encostando numa garota sem consentimento.

    Tudo. Tensão. Tudo prestes a estourar.

    Ares respirou fundo. Era ali. Era agora. Ele sentia o conflito florescendo como flor de pólvora.

    Tirou o celular do bolso.

    Deslizou a tela. Três toques. Três mensagens enviadas.

    E com isso, começou.

    O cara encostando na garota levou um soco do namorado dela. O amigo do agressor veio pra cima. Um copo voou. Uma garrafa quebrou. E o caos, sempre esperando por um convite, entrou sem bater.

    Ares se levantou com calma.

    Caminhou por entre o pânico como se fosse o próprio maestro daquela orquestra dissonante. Empurrou um rapaz de leve — o suficiente para fazê-lo tropeçar em outro.

    Mais socos. Mais gritos.

    Um segurança tentou intervir. Ares o encarou.

    — “Você vai mesmo tentar me impedir?” O homem paralisou. Os olhos tremendo.

    O deus passou por ele, sem pressa. Deixou a boate pelas portas dos fundos, enquanto a briga explodia de vez.

    No beco, acendeu um cigarro. Olhou para o céu, onde os prédios roubavam o lugar das estrelas.

    — “Antigamente era lança contra lança. Agora é dedo contra dedo no Twitter… Mas ainda é guerra.”

    Ele deu uma tragada, soltou a fumaça devagar.

    — “Eles nunca vão mudar. Nem eu.”

    O som das sirenes ecoou à distância.

    Ares sorriu.

    No mundo moderno, a guerra usava terno, armas digitais, e hashtags. Mas o coração? O coração ainda batia pelo conflito.

    E enquanto houver raiva no mundo… Ares terá trabalho.