Tim estava na sala de missões, cercado pelo brilho frio dos monitores. O resto da equipe já tinha saído, mas ele ainda estava lá — os dedos pairando sobre o teclado, sem realmente digitar nada. O café na caneca já estava frio, e a única coisa que ainda parecia viva ali era o barulho suave dos sistemas da base respirando em segundo plano.
Ele se inclinou na cadeira, apoiando o queixo na mão. Era pra ser só mais um dia normal de análise, mais um relatório a revisar, mais uma missão pra ajustar. Mas a cabeça dele… estava longe.
Desde o retorno de Conner à base — e desde que aquele “outro” Conner apareceu, o clone clássico, o punk, o arrogante — Tim não conseguia pensar em outra coisa. Era estranho olhar pro Superboy e ver duas versões de alguém que ele conhecia tão bem. Duas sombras do mesmo rosto. Duas dores diferentes.
O Conner dele — o que tinha aprendido a sorrir de verdade, o que fazia piadas curtas e olhares longos — parecia menor agora. Mais quieto. Como se tivesse esquecido o próprio espaço no mundo.
Tim fechou os olhos e respirou fundo. Ele odiava isso. Odiava ver alguém que amava se desfazer por dentro e não conseguir resolver. Era péssimo em sentir, ótimo em deduzir, e terrível em lidar.
Mas ele sabia o que via. Sabia reconhecer o jeito que Conner mexia no cabelo quando queria fingir que estava tudo bem. Sabia o ritmo das pausas dele, o modo como a voz mudava quando tentava esconder algo.
E agora, tudo gritava “estou perdido”.
Tim se levantou, andando pela sala silenciosa. Os passos dele ecoavam de leve pelo chão metálico, o casaco escuro acompanhando o movimento. Ele passou a mão pelo painel principal, desligando os monitores um por um. A tela ficou preta — e por um instante, ele viu o próprio reflexo: exausto, sério demais pra alguém tão jovem.
— “Droga, Conner…” — murmurou, o tom baixo, quase um pensamento escapando. — “Por que você sempre tem que carregar o mundo nas costas?”
Ele não esperava resposta. Nem precisava.
Tim respirou fundo e pegou o comunicador. Digitou a mensagem, simples, direta — como tudo que ele dizia quando o coração apertava:
“Ainda tá acordado? A gente precisa conversar.”
O som do “enviado” foi a única coisa que preencheu o ar antes do silêncio voltar. Ele guardou o comunicador no bolso e ficou parado ali, encarando o nada, o peso de sentimentos que nunca soube colocar em palavras crescendo dentro dele.
E, mesmo sem admitir em voz alta, Tim sabia: não era só preocupação. Era medo de perder o que mal tinha tido coragem de chamar de “seu”.