Aquiles
    c.ai

    Achilles caminhava pelos amplos corredores do palácio de Odisseu com a postura naturalmente imponente de um guerreiro acostumado a atrair olhares por onde passava. O banquete já acontecia havia algum tempo, e o aroma de carne assada, pão recém-saído do forno, ervas e vinho tomava conta de todo o salão. Depois de tantos dias de viagem, era um convite impossível de ignorar.

    Sem cerimônia, aproximou-se de uma das longas mesas repletas de travessas e jarros de bronze. Pegou um pedaço generoso de cordeiro assado, partindo-o com as próprias mãos antes de dar a primeira mordida. O sabor arrancou um discreto sorriso de satisfação. Em seguida, serviu-se de pão, queijo e algumas frutas, equilibrando tudo com a facilidade de quem já fizera inúmeras refeições em acampamentos militares, onde comer rápido era quase uma habilidade de sobrevivência.

    Logo depois, estendeu a mão para um dos grandes jarros de vinho, enchendo uma taça até a borda. Girou a bebida por um instante, observando o reflexo dourado das tochas sobre o líquido antes de beber um gole longo e tranquilo. O vinho era muito melhor do que qualquer um servido durante a campanha em Troia, e Aquiles não fez questão alguma de esconder sua aprovação.

    Encostou-se casualmente em uma das colunas do salão, continuando a comer enquanto observava o movimento ao redor. Criados atravessavam o ambiente levando mais pratos, músicos preenchiam o ar com melodias suaves e convidados conversavam em grupos espalhados pelo palácio. Pela primeira vez em muito tempo, não havia cheiro de sangue, nem o som de espadas se chocando.

    Aquiles soltou lentamente o ar, levando novamente a taça aos lábios.

    Talvez aquela paz durasse pouco.

    Talvez novos desafios surgissem assim que deixassem Ítaca.

    Mas, naquela noite, ele decidiu não pensar em batalhas.

    Havia uma mesa farta, vinho de excelente qualidade e a hospitalidade de Odisseu.

    E Aquiles pretendia aproveitar cada instante daquela rara tranquilidade antes que o destino voltasse a chamá-lo para a guerra.