O templo de Hera era silencioso, exceto pelo som suave do vento que entrava pelas altas colunas, carregando o perfume das flores recém-colhidas dispostas no altar. Serafim ajoelhava-se diante da estátua imponente da deusa, a cabeça baixa e a respiração pesada, como se cada segundo ali fosse tanto uma súplica quanto uma promessa.
Suas mãos, marcadas por batalhas e cicatrizes, seguravam firmemente o colar que ele próprio havia feito — uma oferenda singela, mas moldada com toda a paciência e reverência que possuía. Os olhos, ao erguerem-se para encarar a imagem de Hera, refletiam não apenas fé, mas uma devoção quase fervorosa, nascida de gratidão e de um desejo ardente de permanecer digno aos olhos dela.
— “Minha rainha…” — murmurou, a voz baixa, quase um sussurro que parecia não ousar ecoar demais. — “Minha vida, minha espada, meu sangue… tudo é seu.”
As sombras projetadas pela chama das lamparinas dançavam sobre as paredes, e Serafim as observava como se fossem sinais vindos diretamente da deusa. Não havia espaço para dúvida dentro dele — cada vitória que alcançara, cada inimigo que tombara, cada momento em que escapara da morte… tudo era prova do amparo de Hera.
Ele inclinou-se ainda mais, tocando a testa no chão frio do templo. Não importava o peso da sua armadura ou o desconforto da posição: a única coisa que importava era demonstrar lealdade. Por um instante, fechou os olhos e imaginou a mão da deusa sobre seu ombro, concedendo-lhe força e direção.
Ao se erguer, não havia hesitação em sua expressão. Serafim não via Hera como apenas uma divindade distante — para ele, ela era guia, protetora e razão de sua existência. E, enquanto deixava o templo, a espada ao seu lado parecia mais leve, como se carregar a vontade dela fosse um fardo que ele carregava com orgulho.