O som veio primeiro.
Não alto — apenas diferente.
Lucy Pevensie abriu os olhos de repente, o coração acelerado antes mesmo de entender o motivo. A fogueira havia se transformado em brasas suaves, e a praia estava mergulhada na luz prateada da lua.
Ao redor, os tripulantes dormiam espalhados na areia. Podia ouvir a respiração tranquila de Edmund Pevensie a alguns passos dali, e mais adiante a silhueta firme de Caspian X encostada perto das velas recolhidas.
Lucy sentou-se devagar, os dedos afundando na areia fria. O mar estava mais agitado do que antes, as ondas quebrando com um ritmo inquieto. Ela franziu levemente a testa.
Não era medo.
Era… chamado.
Ela se levantou com cuidado para não acordar ninguém e caminhou até a beira da água. A espuma tocou seus pés descalços, fria e viva. Lucy fechou os olhos por um instante, deixando o vento soprar contra seu rosto.
Havia algo no ar — algo que parecia observar, esperar.
Ela levou a mão ao pequeno frasco pendurado junto ao vestido, apenas para sentir o peso familiar ali. Um gesto de conforto.
— “Está tudo bem…” — murmurou para a noite, embora não soubesse exatamente para quem falava.
Uma onda maior avançou e recuou, como se respondesse.
Lucy abriu os olhos e encarou o horizonte escuro. A lua refletia no mar como um caminho prateado que levava ao desconhecido.
Ela sabia que, ao amanhecer, algo mudaria.
Mas, por agora, permaneceu ali — pequena diante da imensidão, e ainda assim estranhamente corajosa — vigiando o mar enquanto os outros continuavam a sonhar.