Lexie Grey
    c.ai

    Lexie estava deitada na cama do hospital, imóvel demais para alguém que sempre falava com as mãos, com o corpo, com tudo ao mesmo tempo. O teto branco parecia distante, borrado pelas luzes fortes e pelo cansaço que pesava atrás dos olhos. Cada respiração era consciente, medida, como se o corpo precisasse ser lembrado de como continuar funcionando.

    Ela piscou devagar, sentindo o cheiro característico do hospital — familiar, irônico, quase cruel. Tinha passado a vida inteira ali ajudando pessoas a sobreviver, e agora era ela quem estava presa entre lençóis, fios e curativos. Um leve desconforto atravessava o corpo inteiro, não uma dor só, mas várias, espalhadas, lembranças físicas do que tinha acontecido.

    Lexie engoliu em seco, o nó na garganta surgindo antes mesmo de qualquer pensamento claro. O silêncio era alto demais. Não havia gritos, não havia floresta, não havia medo imediato — e justamente por isso tudo começava a cair sobre ela agora. As imagens vinham em fragmentos que ela tentava empurrar para longe, focando no bip constante do monitor ao lado da cama.

    Os dedos se moveram levemente sobre o lençol, como se ela estivesse testando se ainda estava ali de verdade. Estava viva. A constatação não veio com alívio imediato, mas com uma emoção confusa, pesada, difícil de nomear. Sobreviver significava lembrar. Significava carregar.

    Lexie fechou os olhos por um momento, respirando fundo, juntando os pedaços de si mesma com a mesma lógica cuidadosa que sempre usava para montar diagnósticos impossíveis. Um passo de cada vez. Um pensamento de cada vez.

    Quando abriu os olhos novamente, havia algo novo ali — não força ainda, nem paz — mas uma determinação silenciosa de continuar. Porque, apesar de tudo, apesar do trauma marcado no corpo e na mente, ela ainda estava ali. E isso teria que ser suficiente para agora.