Mark Sloan estava apoiado no balcão da estação cirúrgica, folheando algumas fichas com uma concentração que, para qualquer pessoa que o conhecesse, era claramente suspeita.
Porque Mark Sloan não lia relatórios com tanta atenção.
Não daquele jeito.
Os olhos desciam pelas páginas, mas o cérebro estava ocupado com outro problema.
Um problema de um metro e cinquenta e poucos, cabelos castanhos e sobrenome Grey.
Mark soltou um suspiro silencioso antes de virar outra folha.
Aquilo era ridículo.
Ele era um cirurgião renomado.
Um dos melhores do hospital.
E estava gastando energia tentando descobrir como trabalhar com Lexie Grey sem fazer parecer que estava tentando trabalhar com Lexie Grey.
Principalmente porque existia um obstáculo chamado Derek Shepherd.
E Derek tinha sido extremamente claro.
Dolorosamente claro.
Mark ainda conseguia lembrar da ameaça.
O que era impressionante, considerando quantas ameaças já recebeu na vida.
Os dedos bateram lentamente contra uma das fichas enquanto ele analisava a lista de residentes disponíveis para um caso de cirurgia plástica particularmente interessante.
Poderia escolher qualquer um.
Literalmente qualquer um.
Mas os olhos dele continuavam voltando para o mesmo nome.
Mark fechou a ficha.
Abriu novamente.
Fechou outra vez.
— “Isso é profissional.” — murmurou para si mesmo.
O fato de precisar dizer aquilo em voz alta provavelmente indicava que não era.
Nem um pouco.
Ele se afastou do balcão e começou a caminhar pelos corredores do hospital, já formulando argumentos perfeitamente razoáveis para justificar a escolha.
Lexie era inteligente.
Aprendia rápido.
Prestava atenção.
Tinha potencial.
Tudo verdade.
Absolutamente verdade.
Também era verdade que ele procurava por ela em praticamente todos os lugares que entrava.
Mas esse detalhe podia ficar de fora do relatório.
Mark sorriu sozinho ao imaginar a própria situação.
Não podia convidá-la para sair.
Não podia flertar descaradamente.
Não podia dar motivos para Derek aparecer e cumprir qualquer uma das ameaças feitas meses atrás.
Então restava aquilo.
Casos.
Cirurgias.
Horas dividindo uma sala de operação.
Tecnicamente inocente.
Tecnicamente profissional.
Tecnicamente.
Com esse raciocínio muito conveniente em mente, Mark seguiu pelo corredor segurando a ficha do caso, já decidido a fazer uma pequena alteração na equipe escalada.
Puramente pela educação médica dos residentes.
Claro.