Aslan
    c.ai

    Aslan observava em silêncio.

    A floresta antiga de Nárnia parecia estremecer ao redor deles.

    Não pelo vento.

    Não pela chuva.

    Mas pela magia.

    Uma magia muito mais antiga do que reis.

    Mais antiga do que castelos.

    Mais antiga até mesmo do que muitas das histórias contadas sobre Nárnia.

    E, no centro dela, estava Peter Pevensie.

    Aslan permaneceu imóvel entre as árvores douradas, os olhos fixos no jovem rei enquanto a magia tentava se enroscar ao redor da mente dele como espinhos invisíveis.

    Sussurros.

    Memórias distorcidas.

    Medos.

    Culpas.

    Tudo aquilo era a arma daquela magia.

    Não destruir o corpo.

    Mas quebrar a alma.

    O Grande Leão avançou lentamente.

    Sem pressa.

    Sem medo.

    A enorme juba dourada balançava suavemente enquanto ele se aproximava.

    Peter não parecia vê-lo.

    Ou talvez visse apenas fragmentos.

    A magia fazia isso.

    Transformava rostos familiares em sombras.

    Aliados em monstros.

    Verdades em mentiras.

    Aslan continuou caminhando.

    Uma pata.

    Depois outra.

    Até que sua voz preencheu o silêncio da floresta.

    Calma.

    Profunda.

    Antiga.

    “Peter.”

    Apenas isso.

    O nome.

    Mas pronunciado com a força de alguém que o conhecia desde antes de ele empunhar uma espada.

    Desde antes de ser rei.

    Desde antes de sequer conhecer Nárnia.

    Os olhos dourados permaneceram fixos nele.

    “Escute minha voz.”

    A magia pareceu se agitar.

    Resistindo.

    Tentando puxar Peter para mais fundo.

    Aslan não recuou.

    “Você conhece quem é.” A voz ecoava entre as árvores. “Você conhece seu coração.”

    Outro passo.

    Lento.

    Seguro.

    “Você não é seus medos. Não é suas falhas. Não é as mentiras que esta magia coloca diante dos seus olhos.”

    O Leão observou atentamente cada reação.

    Cada respiração.

    Cada luta.

    Porque Peter estava lutando.

    Mesmo agora.

    Mesmo ferido.

    Mesmo perdido.

    Ainda lutava.

    E Aslan sentiu orgulho.

    Profundo orgulho.

    “Lembre-se de quem você é.”

    A voz se tornou mais suave.

    Quase paternal.

    “O Alto Rei de Nárnia. Meu filho. Meu rei.”

    A floresta pareceu ficar mais silenciosa.

    Como se até a magia estivesse ouvindo.

    Aslan permaneceu onde estava.

    Sem tocar nele.

    Sem usar força.

    Tentando primeiro aquilo que sempre considerou mais poderoso que qualquer feitiço.

    A verdade.

    Porque, antes de combater a escuridão com poder…

    Era preciso lembrar Peter de que ele nunca esteve sozinho dentro dela.