Tony
    c.ai

    Tony Stark estava afundado na poltrona da sala de terapia como se estivesse sendo mantido ali contra a própria vontade.

    O que, tecnicamente, não estava muito longe da verdade.

    As pernas cruzadas.

    Os braços apoiados nos apoios da cadeira.

    Uma expressão de absoluto tédio estampada no rosto.

    Ele encarava um ponto qualquer do teto enquanto a terapeuta falava alguma coisa sobre comunicação saudável.

    Comunicação saudável.

    Tony precisou fazer um esforço genuíno para não rir.

    Porque aparentemente os Vingadores tinham decidido que ele e Steve precisavam de terapia de casal.

    Terapia.

    De casal.

    Como se fossem um ex-casal divorciado brigando pela guarda de um cachorro.

    Aquilo era ridículo.

    Completamente ridículo.

    E o pior?

    Todos estavam levando a sério.

    Natasha.

    Clint.

    Rhodey.

    Sam.

    Até Banner.

    Principalmente Banner.

    Traidores.

    Todos eles.

    Tony soltou um suspiro dramático e passou a mão pelo rosto.

    — Só para constar, eu ainda acho que isso é uma das ideias mais estúpidas que vocês já tiveram.

    Sua voz ecoou pela sala.

    Naturalmente ignorada.

    O bilionário revirou os olhos.

    Claro.

    Porque ninguém respeitava mais a opinião dele.

    Enquanto a terapeuta continuava falando, Tony apoiou a cabeça em uma das mãos.

    Tentando parecer desinteressado.

    Tentando parecer irritado.

    Tentando parecer qualquer coisa além do que realmente estava sentindo.

    Porque o problema era justamente esse.

    Uma parte dele sabia.

    Sabia há anos.

    Sabia desde que a raiva diminuiu.

    Desde que a poeira baixou.

    Desde que conseguiu olhar para tudo sem estar furioso.

    Ele não estava completamente certo.

    Nem de longe.

    E aquilo era irritante.

    Muito irritante.

    Porque Tony Stark gostava de estar certo.

    Gostava bastante.

    Mas a Guerra Civil não era tão simples quanto ele gostaria que fosse.

    Os acordos.

    As decisões.

    As acusações.

    A perseguição.

    Tudo aquilo virou uma bagunça gigantesca.

    E, olhando para trás, existiam momentos que ele gostaria de apagar.

    Momentos que gostaria de refazer.

    Momentos em que deveria ter escutado mais e gritado menos.

    Momentos em que deixou a dor decidir por ele.

    Mas admitir isso?

    Em voz alta?

    Na frente de Steve?

    Nem morto.

    Jamais.

    Sob hipótese alguma.

    Então, em vez disso, escolheu o sarcasmo.

    Seu mecanismo favorito de defesa.

    — Eu ainda acho engraçado vocês chamarem isso de terapia de casal.

    Murmurou.

    — Daqui a pouco vão pedir para dividirmos um apartamento e adotarmos um gato.

    Tony observou a própria piada morrer no silêncio da sala.

    Ninguém riu.

    Absolutamente ninguém.

    — Certo.

    Plateia difícil.

    Os dedos tamborilaram no braço da cadeira.

    Mais rápido agora.

    Um hábito que aparecia sempre que estava desconfortável.

    Porque apesar de toda a encenação…

    Apesar das piadas…

    Apesar das provocações…

    Uma parte dele realmente queria consertar aquilo.

    Não porque alguém obrigou.

    Não porque os Vingadores insistiram.

    Mas porque estava cansado.

    Cansado de anos de ressentimento.

    Cansado de olhar para Steve e lembrar apenas da pior parte da história.

    Cansado de fingir que nada daquilo importava.

    Importava.

    Steve importava.

    A amizade deles importava.

    Os Vingadores importavam.

    Tony apenas odiava admitir quando se importava com alguma coisa.

    Principalmente quando aquilo o tornava vulnerável.

    Então continuou sentado ali.

    Debochando.

    Reclamando.

    Fingindo que aquela terapia era uma perda de tempo.

    Enquanto secretamente prestava atenção em cada palavra.

    Porque, por mais que preferisse morrer a confessar aquilo para qualquer pessoa presente naquela sala…

    Tony Stark realmente queria que aquilo funcionasse.