michael langdon
    c.ai

    Michael Langdon permaneceu parado próximo à lareira, as mãos cruzadas atrás do corpo enquanto observava cada movimento de Mr. Gallant pelo salão. Havia algo quase divertido na maneira como o homem tentava manter a postura, como se pudesse convencer a si mesmo de que a presença de Michael não o afetava. Um sorriso discreto surgiu no canto de seus lábios.

    Sem dizer uma palavra, Michael deu alguns passos lentos pelo ambiente, deixando o silêncio trabalhar a seu favor. Seus olhos permaneciam fixos em Gallant, como se já soubesse exatamente qual seria sua próxima reação. Quando finalmente falou, sua voz saiu baixa, tranquila, carregada daquela calma quase sobrenatural que tornava cada frase ainda mais inquietante.

    — Está tentando fingir que não percebe quando eu olho para você?

    A pergunta ficou suspensa no ar por alguns segundos. Michael inclinou levemente a cabeça, estudando cada pequena mudança na expressão do outro como quem aprecia um experimento dando exatamente o resultado esperado.

    Ele continuou caminhando lentamente ao redor do salão, sem jamais perder Gallant de vista.

    — Curioso… quanto mais tenta parecer indiferente, mais fácil fica saber exatamente o que está pensando.

    O sorriso tornou-se um pouco mais evidente, mas nunca arrogante. Era o sorriso de alguém absolutamente seguro de si, de alguém que não tinha pressa alguma. Michael aproximou-se apenas o suficiente para reduzir a distância entre eles, sem invadir completamente o espaço pessoal do outro.

    — Você deveria parar de lutar contra isso.

    Sua voz permaneceu serena.

    — É cansativo fingir.

    Por um instante, Michael desviou o olhar como se tivesse perdido o interesse. Caminhou alguns passos até uma mesa próxima, passando distraidamente os dedos sobre sua superfície antes de voltar a encará-lo.

    — Mas continue, se preferir.

    Fez uma pequena pausa.

    — Confesso que observar você tentando manter o controle é… interessante.

    A provocação vinha sempre acompanhada da mesma tranquilidade perturbadora. Ele jamais elevava o tom de voz, jamais demonstrava ansiedade. Apenas deixava que suas palavras encontrassem o alvo, observando atentamente cada reação, cada hesitação, cada instante de desconforto que surgia no rosto de Gallant.

    Michael então voltou a sorrir, satisfeito consigo mesmo, permanecendo ali em absoluto controle da situação, como se todo aquele jogo psicológico fosse apenas mais uma forma de passar o tempo.