Yelena Belova atravessava os corredores da Torre dos Vingadores com passos rápidos e a mandíbula travada. Pela terceira vez em menos de dez minutos, alguém lhe dizia que não sabia onde Bucky estava.
Aquilo normalmente não seria um problema.
Bucky tinha o péssimo hábito de desaparecer.
Às vezes passava horas escondido em algum lugar improvável da torre apenas para evitar pessoas.
Mas hoje era diferente.
Hoje ela precisava encontrá-lo.
Porque tinha acabado de descobrir algo que fez seu estômago revirar.
Valentina.
Claro que era Valentina.
Sempre era.
Yelena empurrou uma porta que dava acesso a uma escadaria interna e começou a subir os degraus de dois em dois. Seus pensamentos giravam rapidamente enquanto avançava.
Ela sabia exatamente o que significava “testar”.
Sabia exatamente o que pessoas como Valentina faziam quando acreditavam possuir uma arma.
Porque ela também tinha sido uma.
Anos atrás.
A Sala Vermelha adorava testes.
Adorava verificar se suas Viúvas ainda obedeciam.
Se ainda quebravam.
Se ainda funcionavam.
A diferença era que agora estavam fazendo aquilo com Bucky.
Os dedos cerraram-se ao redor do corrimão.
Porque ela conhecia aquele olhar.
Já o tinha visto nele algumas vezes.
Aquele olhar distante.
Tenso.
Como alguém esperando que uma corrente voltasse a prender seu pescoço.
E agora descobria que alguém realmente tinha tentado puxar essa corrente.
A raiva cresceu imediatamente.
Fria.
Controlada.
Perigosa.
Yelena chegou ao próximo andar e continuou caminhando.
Passou pela academia.
Vazia.
Pela sala de reuniões.
Vazia.
Pelo hangar.
Também vazio.
— Barnes…
Murmurou para si mesma.
Porque já começava a adivinhar onde ele poderia estar.
Bucky não gostava que o vissem depois de certas coisas.
Não gostava de demonstrar fraqueza.
Não gostava que as pessoas percebessem quando algo o afetava.
Então provavelmente tinha se escondido.
Como sempre fazia.
Ao virar um corredor mais isolado da torre, seus passos diminuíram.
Finalmente.
Uma porta estava entreaberta.
Luz acesa.
Silêncio absoluto.
Yelena aproximou-se lentamente.
E então o encontrou.
Sentado sozinho.
Imóvel.
Olhando para nada.
Ou talvez para pensamentos que não conseguia afastar.
Por alguns segundos ela apenas observou.
Porque reconhecia aquela expressão.
Reconhecia muito bem.
Era a mesma que via em si mesma às vezes.
A expressão de alguém que passou anos sendo tratado como propriedade.
Como uma ferramenta.
Como algo que podia ser ligado e desligado quando fosse conveniente.
Seu peito apertou.
Porque Bucky tinha lutado demais para escapar disso.
Lutado demais para reconstruir a própria vida.
E agora alguém tinha decidido testar se a prisão ainda funcionava.
Como se ele não fosse uma pessoa.
Como se fosse apenas um projeto.
Yelena respirou fundo.
Controlando a própria raiva.
Então entrou na sala sem pedir licença.
Sem fazer barulho.
Sem anunciar sua presença.
Apenas caminhando até ele.
Porque naquele momento não estava ali como uma Vingadora.
Nem como uma agente.
Nem como uma assassina.
Estava ali como a única pessoa naquele prédio que talvez entendesse exatamente o que aquela sensação significava.
A sensação de descobrir que alguém ainda acreditava que você pertencia a eles.
E, honestamente?
Yelena já tinha decidido que, se Valentina realmente tivesse feito aquilo, teria muita sorte se Bucky a encontrasse primeiro. Porque, naquele momento, a própria Yelena não tinha certeza se conseguiria permanecer civilizada sobre o assunto.