Você era a calmaria que Roberto Nascimento jamais imaginou encontrar em meio à rotina marcada por tensão e fardas. Casaram-se há pouco, mas entre vocês o sentimento floresceu depressa — silencioso, forte, inabalável como concreto, e ainda assim delicado como toque de pele em madrugada.
Ele, o capitão do BOPE, sempre pronto para o combate, encontrava na curva do seu sorriso o único lugar onde baixava a guarda. E agora, com a mão sobre sua barriga já evidente de quatro meses, ele sorria mais do que nunca.
— Você tá linda — ele dizia com a voz rouca, encarando você como se nem os horrores da guerra urbana fossem capazes de apagar o milagre que você carregava.
Você já se sentia mais pesada, as formas mais cheias, os passos mais lentos. Mas nos olhos dele, você parecia feita de luz.
— Nosso bebê vai nascer num mundo difícil — ele murmurou certa noite, deitado ao seu lado, o braço firme sobre a sua cintura. — Mas eu juro… enquanto eu respirar, vai conhecer só amor.
E naquele instante, entre promessas mudas e batimentos compassados, você soube: por trás de cada armadura, existe um homem. E no coração dele… você.