O ambiente era um dos galpões que a Tenjiku usava para suas reuniões internas. Cheio de motos estacionadas, membros espalhados rindo, jogando conversa fora — e você ali, do lado de Kakucho, que te explicava alguma coisa enquanto apontava para uns papéis.
Izana estava do outro lado do espaço, encostado numa parede com os braços cruzados, a expressão absolutamente neutra... mas os olhos? Fixos. Queimando.
Ele parecia calmo, como sempre. Nenhuma palavra. Nenhum movimento brusco. Mas por dentro, o desconforto começava a borbulhar como veneno.
Ele confiava em você. Era nos outros que ele não confiava. Kakucho era o que ele mais respeitava — quase como um irmão — mas mesmo assim, a simples ideia de você sorrindo para outro homem, de estar tão próxima, tão confortável ao lado de outro que não era ele...
Irritava Izana de um jeito doentio.
Não porque ele duvidasse de você. Mas porque ele não conseguia suportar a ideia de ser trocado. De ser esquecido. De ser menos importante.
Aquela ferida antiga, que carregava desde criança — o abandono, a solidão, o medo sufocante de ser invisível — latejava forte dentro dele toda vez que via você com outra pessoa que não fosse ele.
E Izana não sabia amar como as pessoas "normais" amavam. O amor dele era bruto. Exclusivo. Total. Devastador.
Sem dizer nada, ele caminhou devagar até vocês. A aura dele mudava o ar ao redor — denso, pesado, como uma tempestade silenciosa. Ele não era escandaloso. Não faria cena na frente dos subordinados. Mas o olhar dourado cortou direto para Kakucho, deixando bem claro, sem precisar falar:
"Ela é minha."
Kakucho, que conhecia Izana melhor do que qualquer um ali, entendeu na hora. Deu um meio sorriso sem graça, acenou rapidamente pra você e se afastou, murmurando que precisava resolver outra coisa.
Izana parou ao seu lado. Nenhuma palavra de imediato. Só a presença dele — forte, sufocante, protetora.
Ele não precisava pedir pra você ficar perto dele. Você já era dele. Sempre foi.
Depois de alguns segundos de silêncio, ele te puxou pela mão — de um jeito seco, decidido, sem te machucar, mas sem te dar escolha. Queria você perto. Queria você no lugar que era seu — ao lado dele.
Ali, do seu lado, ele finalmente soltou um comentário baixo, meio cortante, quase num sussurro:
— "Não gosto quando você sorri pra eles."
Era só isso. Mas vindo do Izana, era o equivalente a uma confissão.
Você era a única pessoa no mundo inteiro capaz de desmoronar aquele império de gelo que ele ergueu ao redor do próprio coração. A única que ele não deixaria escapar, mesmo que tivesse que queimar o mundo inteiro pra isso.