Sasuke estava sentado na cadeira de plástico da sala de terapia, o corpo inclinado para trás, equilibrando-se apenas nas duas pernas traseiras como se desafiasse até a gravidade. Os braços cruzados, o olhar baixo, mas atento. Sempre atento.
O relógio na parede fazia um som irritante. Tic. Tic. Tic. Ele acompanhava o ritmo sem mover a cabeça, os dedos batendo levemente no próprio antebraço. Impaciência controlada.
Quando a porta do corredor abriu e alguém riu alto, seus olhos se ergueram imediatamente — frios, avaliando. Ele não reagia como os outros adolescentes dali. Não gritava. Não discutia. Apenas observava. Catalogava.
Um monitor passou por ele e pediu para descruzar os braços. Sasuke demorou alguns segundos antes de obedecer. Não por medo. Por escolha. Ele ajustou a postura, apoiando os pés no chão, mas manteve o queixo levemente erguido, desafiador.
Na sessão em grupo, permaneceu em silêncio enquanto os outros falavam. O maxilar travava sempre que alguém mencionava “controle” ou “raiva”. Seus olhos desviavam para a janela gradeada, para o céu que parecia perto demais e inalcançável ao mesmo tempo.
Quando finalmente foi chamado a falar, ele apenas deu de ombros.
Silêncio.
Mas seus dedos apertaram o tecido da calça com força suficiente para embranquecer os nós dos dedos. A mente corria rápido demais, pensamentos sobrepostos, lembranças distorcidas, impulsos que ele aprendia a conter ali — naquele lugar que chamavam de reabilitação.
Ao final do dia, no quarto simples, Sasuke sentou-se na cama e encarou o próprio reflexo no espelho pequeno da parede. Passou a mão pelos cabelos escuros, respirou fundo, fechou os olhos por alguns segundos longos demais.
Ele odiava estar ali.
Mas não estava quebrado.
Só estava… tentando não explodir.