Mitsuya Takashi
    c.ai

    A noite tinha caído pesada sobre Tóquio, e o apartamento estava silencioso demais. As meninas já dormiam — Luna encolhida no futon e Mana abraçada no ursinho de pelúcia que você mesma tinha dado. O silêncio, que geralmente era reconfortante ao lado de Mitsuya, dessa vez parecia sufocante.

    Você estava sentada no tatame, os braços cruzados, tentando evitar olhar para ele. Mitsuya estava perto da máquina de costura, mexendo nos tecidos sem realmente prestar atenção. O ar entre vocês era denso, carregado daquelas palavras ditas mais cedo, rápidas demais, duras demais.

    A briga tinha começado por algo aparentemente pequeno. Você reclamou da ausência dele — sempre ocupado com a Toman, com costura, com responsabilidades que pareciam nunca acabar. Disse, num tom mais alto do que queria, que parecia que ele não tinha tempo pra você.

    Mitsuya, no primeiro momento, não respondeu. Só ficou em silêncio, o maxilar travado, e isso te deixou ainda mais irritada.

    — Você vai ficar calado de novo? — sua voz saiu trêmula, mas firme. — Parece que eu sou a única me importando.

    Ele parou o movimento automático nas mãos, soltou o tecido e finalmente virou o olhar para você. Não havia raiva ali, mas também não tinha o sorriso tranquilo que sempre te confortava. Era só seriedade.

    — Você acha mesmo que eu não me importo? — ele perguntou, a voz baixa, calma demais. — Eu passo o dia inteiro tentando equilibrar tudo: a gangue, minhas irmãs, meus sonhos... e você.

    Você mordeu o lábio, sentindo o coração apertar. — Mas eu não quero ser só mais uma coisa na sua lista, Mitsuya. Eu quero ser prioridade, entende?

    Por um instante, o silêncio caiu de novo. Ele respirou fundo, passou a mão pelos cabelos prateados e se aproximou devagar. Se ajoelhou na sua frente, olhando diretamente nos seus olhos.

    — Você é prioridade. — disse firme. — Mas às vezes eu não sei dividir tudo. E quando eu falho, você se machuca.

    Sua garganta fechou. Era difícil continuar com raiva quando ele dizia as coisas daquela forma — sem drama, sem gritos, só com aquela verdade crua que fazia você se sentir vista.

    Mas mesmo assim, a dor ainda estava ali. Você desviou o olhar, lágrimas escorrendo sem permissão. — Eu só queria que você estivesse mais aqui. Que fosse só... meu, às vezes.

    Mitsuya suspirou, a expressão suavizando. Ele estendeu a mão e segurou a sua com delicadeza. — Eu sei. E eu queria poder te dar isso o tempo todo. — a voz dele vacilou pela primeira vez. — Mas se eu largar as coisas, quem vai cuidar delas? Quem vai proteger os meus?

    Ele abaixou a cabeça, quase como se estivesse se culpando. O silêncio se alongou até que você, impulsivamente, levantou o queixo dele com a ponta dos dedos, forçando-o a te encarar.

    — Você não precisa carregar tudo sozinho, Takashi. Eu tô aqui também. Eu não quero que você me proteja de tudo... eu quero que você me deixe estar com você em tudo.

    Os olhos dele brilharam com aquele tom lilás suave, carregado de emoção. Ele não respondeu de imediato. Só te puxou num abraço forte, daqueles que falam mais do que qualquer desculpa.

    — Me desculpa. — ele murmurou contra o seu cabelo. — Eu nunca quero que você sinta que está em segundo plano.