Shinsou Hitoshi
    c.ai

    Shinsou estava encostado perto da porta do dormitório da 1-A, as mãos enfiadas nos bolsos do moletom, observando o ambiente em silêncio. Era barulhento demais. Vivo demais. Tudo ali parecia ocupar espaço — risadas, vozes sobrepostas, passos apressados — coisas às quais ele nunca precisou se acostumar antes.

    Ele deu alguns passos para dentro, hesitante.

    O chão rangia sob seus pés, e Shinsou prendeu a respiração por um segundo, como se estivesse invadindo um território que ainda não tinha certeza se era dele. Seus olhos percorreram o salão comum: sofás cheios de marcas de uso, mesas riscadas, objetos espalhados sem qualquer lógica aparente. Nada era perfeitamente organizado. Nada era silencioso.

    Nada era… solitário.

    Shinsou passou a mão pelos cabelos roxos, soltando um suspiro baixo. Sentou-se na ponta do sofá, mantendo uma distância automática, como se ainda esperasse alguém questionar sua presença ali. O coração batia num ritmo estranho — não de nervosismo puro, mas de algo próximo à expectativa.

    — “Então é isso…” — murmurou para si mesmo.

    Ele fechou os olhos por um instante, ouvindo os sons ao redor sem tentar bloqueá-los. Pela primeira vez, não parecia uma ameaça. Não parecia julgamento. Era só… vida acontecendo perto demais.

    Shinsou apoiou os cotovelos nos joelhos e encarou o chão, um canto quase imperceptível surgindo em seus lábios.

    Talvez demorasse. Talvez fosse estranho por um tempo. Mas, ali… ele não era mais alguém de fora tentando entrar.

    Ele já estava dentro.