Mark Sloan
    c.ai

    Mark Sloan estava sentado à mesa da cozinha, mexendo distraidamente em uma xícara de café que já havia esfriado fazia tempo. O turno tinha acabado há algumas horas, mas, como acontecia na maioria dos dias, ele não foi para o próprio apartamento.

    Foi para a casa de Meredith.

    De novo.

    O curioso era que ele nem havia pensado na decisão.

    Simplesmente saiu do hospital, entrou no carro e dirigiu para lá como se fosse o caminho mais natural do mundo.

    Só percebeu quando estava destrancando a porta.

    E ninguém estranhou.

    Ninguém nunca estranhava.

    Mark apoiou o queixo na mão enquanto observava o movimento da casa. Vozes vinham de outros cômodos. Alguém estava andando no andar de cima. Uma porta bateu. Alguém reclamou de alguma coisa do outro lado da casa.

    Normal.

    Tudo aquilo era completamente normal agora.

    O pensamento arrancou um pequeno sorriso dele.

    Porque, honestamente, não lembrava quando aquilo tinha começado.

    Talvez tivesse sido por Lexie.

    Provavelmente tinha sido por Lexie.

    No começo, ele aparecia para vê-la.

    Depois aparecia porque sabia que ela estaria ali.

    Depois aparecia porque gostava da companhia das pessoas.

    E então chegou um ponto em que simplesmente aparecia.

    Sem motivo.

    Sem desculpa.

    Sem precisar justificar a própria presença.

    Mark deixou os olhos passearem pela cozinha.

    Conhecia aquele lugar bem demais.

    Sabia onde estavam os pratos.

    Sabia qual armário guardava os copos.

    Sabia onde Meredith escondia os lanches para ninguém pegar.

    Sabia onde ficavam os cobertores extras.

    Sabia quais cadeiras eram mais disputadas quando a casa estava cheia.

    Sabia até qual torneira precisava ser fechada com mais força.

    Aquilo não deveria ser normal.

    Mas era.

    E, pela primeira vez, ele começou a perceber o quanto aquilo significava.

    Porque o apartamento dele era bonito.

    Luxuoso.

    Silencioso.

    Mas aquela casa…

    Aquela casa estava viva.

    Sempre tinha alguém chegando.

    Sempre tinha alguém saindo.

    Sempre tinha alguma discussão acontecendo.

    Alguém reclamando.

    Alguém rindo.

    Alguém chorando.

    Alguém precisando de ajuda.

    Era um caos absoluto.

    E Mark gostava disso muito mais do que gostaria de admitir.

    Ele observou a cozinha por mais alguns segundos antes de recostar na cadeira.

    Durante boa parte da vida, acreditou que família era uma coisa que simplesmente não era para ele.

    Famílias eram complicadas.

    Exigiam esforço.

    Exigiam permanência.

    E Mark nunca tinha sido bom em permanecer.

    Mas, sentado ali, ouvindo a movimentação da casa ao redor, percebeu algo que o deixou estranhamente emocionado.

    Ninguém naquela casa era perfeito.

    Meredith tinha problemas suficientes para uma vida inteira.

    Os amigos dela eram um desastre emocional coletivo.

    Todo mundo discutia.

    Todo mundo cometia erros.

    Todo mundo carregava bagagens enormes.

    E, ainda assim, estavam ali.

    Juntos.

    Sempre voltando uns para os outros.

    Sempre encontrando um jeito de continuar.

    Os olhos dele acabaram parando na escada por alguns segundos.

    Lexie.

    Claro que o pensamento voltava para ela.

    Porque, se fosse sincero consigo mesmo, ela era o motivo de tudo aquilo.

    Não apenas porque a amava.

    Mas porque ela tinha sido a primeira pessoa que o fez desejar algo diferente.

    Algo maior.

    Algo permanente.

    Antes dela, a ideia de voltar para uma casa cheia de gente teria parecido um pesadelo.

    Agora parecia conforto.

    Parecia paz.

    Mark soltou uma risada baixa para si mesmo.

    Se alguém tivesse contado isso para o Mark Sloan de alguns anos atrás, ele teria gargalhado.

    O grande Sloan.

    O homem que evitava compromisso como se fosse uma doença.

    Agora sentado na cozinha de outra pessoa, tomando café frio e percebendo que passava mais tempo ali do que na própria casa.

    E o mais absurdo?

    Ele não queria que fosse diferente.

    Pela primeira vez na vida, ele entendia por que as pessoas falavam tanto sobre família.

    Não era sobre sangue.

    Não era sobre sobrenome.

    Era sobre encontrar pessoas que escolhiam ficar.

    Pessoas que deixavam uma luz acesa para você.

    Pessoas que esperavam você voltar.

    E enquanto observava aquela casa barulhenta, desorganizada e